Gaza

Médicos executados pelas tropas de Israel: Crescente Vermelho pede investigação internacional

08 de abril 2025 - 18:35

As autópsias aos 15 paramédicos e socorristas mortos numa emboscada em Gaza confirmaram que foram baleados na parte superior do corpo e “com intenção de matar”. Os vídeos do ataque já tinham desmentido a versão do exército israelita.

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Imagem gravada pelo telemóvel de uma das vítimas mostra as ambulências co as luzes de emergência ligadas, quando dois socorristas saem em auxílio de uma das ambulâncias que saíra da estrada. Momentos depois, foram atacados peas tropas de Israel.
Imagem gravada pelo telemóvel de uma das vítimas mostra as ambulências co as luzes de emergência ligadas, quando dois socorristas saem em auxílio de uma das ambulâncias que saíra da estrada. Momentos depois, foram atacados peas tropas de Israel.

A execução de 15 paramédicos e socorristas no sul de Gaza a 23 de março continua a chocar o mundo, ao ponto de o próprio governo alemão, um dos apoiantes mais destacados do genocídio de Netanyahu em Gaza, se ter visto obrigado a declarar, através do porta-voz da diplomacia Christian Wagner, que “levantam-se agora perguntas muito importantes sobre a ação do exército israelita” e que “uma investigação e responsabilização dos seus autores é necessária com urgência”.

Os corpos dos médicos e voluntários executados foram encontrados após o crime enterrados numa vala comum junto com os veículos que os transportavam. Como habitualmente, o exército israelita começou por negar ter atacado ambulâncias, dizendo que os soldados dispararam sobre “terroristas” que se aproximavam em “veículos suspeitos”. Segundo o Guardian, o tenente-coronel Nadav Shoshani afirmou que as tropas dispararam sobre veículos não autorizados por Israel e que viajavam com as luzes apagadas.

As mentiras dos militares israelitas foram contrariadas quando veio a público o vídeo gravado com o telemóvel de uma das vítimas mortais do ataque, onde ao longo de quase sete minutos se confirma que as ambulâncias viajavam naquela noite com as luzes de emergência ligadas quando iam socorrer colegas que tinham sido vítimas dos ataques israelitas. Mais tarde, fontes do exército vieram corrigir a primeira versão dos acontecimentos, dizendo ter resultado de um engano. Mas insistiram, sem apresentar provas, que seis dos médicos executados tinha ligações ao Hamas.

Na apresentação dos primeiros resultados da autópsia aos quinze cadáveres encontrados enterrados perto do local onde foram assassinados, o presidente do Crescente Vermelho na Cisjordânia disse aos jornalistas não poder contar tudo o que sabe, mas que o que é certo é que “todos foram baleados na parte superior do corpo, com intenção de matar”. Testemunhas oculares que ajudaram a desenterrar os corpos tinham afirmado que estes se encontravam com as mãos atadas, dando a entender que teriam sido executados um a um no local. Younis al-Khatib deixou ainda uma pergunta aos militares israelitas: “Porque é que esconderam os corpos?”, antes de apelar a uma investigação internacional sobre os ataques deliberados a ambulâncias na Faixa de Gaza.

“Já não basta dizer que se respeita a ei internacional e a convenção de Genebra. Agora é preciso que a comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU implementem o castigo necessário a todos os responsáveis” por estes crimes, acrescentou o líder do Crescente Vermelho.