A crise política levou à demissão do primeiro-ministro e à suspensão da ronda de negociações entre o Governo e os sindicatos dos médicos. Mas depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter adiado a dissolução do Parlamento e o Governo continuar assim em funções, os médicos não veem razões para a suspensão do processo negocial, numa altura em que o caos nas urgências está instalado por causa da falta de médicos que impede o preenchimento das escalas, com a recusa de muitos profissionais em ultrapassar o limite legal de horas extraordinárias anuais.
Presente na manifestação em frente ao Hospital de São João, no Porto, a líder da FNAM defendeu a necessidade de desbloquear as negociações porque “19 meses a negociar é já demasiado tempo”. E insistiu que “o Governo está em plenitude das suas funções, o Ministério da Saúde é o mesmo, o ministro da Saúde é o mesmo”, pelo que não há razão para interromper o processo negocial que o Governo reabriu por causa da crise das urgências.
“É preciso uma solução. Há urgências encerradas do Norte a Sul do país com o caos instalado e a população está a ser deixada para trás. Este plano de reorganização das urgências da Direção-Executiva do SNS é apenas um mapa de encerramentos”, afirmou Joana Bordalo e Sá à agência Lusa.
“Temos um Governo. Apesar da crise política que vivemos, temos um interlocutor, temos Ministério da Saúde, o doutor Manuel Pizarro está em plenas funções, e as soluções estão em cima da mesa. Tem de haver vontade política real”, insistiu a líder da FNAM, que estará na sexta-feira em Bruxelas para reunir com os eurodeputados e a Comissária para a Saúde, Stella Kyriakides, e apresentar um retrato da situação dramática que se vive na Saúde em Portugal.
Em Lisboa, Mariana Mortágua juntou-se à concentração em frente ao Hospital de Santa Maria. Aos jornalistas, afirmou que "o Governo anda a enrolar estas negociações há 18 meses sem querer chegar a uma solução. Tem dois meses para o fazer e pode fazê-lo, tem legitimidade para o fazer. Mais do que isso, é dever do Governo encontrar uma solução para o SNS, as consequências de não o fazer serão desastrosas".