Médicos continuam à espera de um "acordo digno e sem artimanhas escondidas

30 de outubro 2023 - 12:04

Após mais de nove horas de reunião no domingo, sindicatos e Governo voltam a encontrar-se na terça-feira.

PARTILHAR
A líder da FNAM, Joana Bordalo e Sá, com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro
A líder da FNAM, Joana Bordalo e Sá, com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro. Foto Estela Silva/Lusa

Foi só por volta das duas da manhã desta segunda-feira que terminou mais uma reunião entre os sindicatos dos médicos e o Governo, mas ainda sem acordo à vista. À saída da reunião, os sindicatos disseram que esperam receber nova contraproposta do Ministério esta segunda-feira para que a possam discutir na reunião agendada para terça à tarde.

A líder da FNAM, Joana Bordalo e Sá, disse à agência Lusa que foi feito “um compromisso” por parte do Governo para repor o horário semanal de 35 horas para todos os médicos que assim o desejem e das 12 horas semanais de trabalho nos serviços de urgência.

“Falta-nos também ainda a questão da grelha salarial, que é um aspeto que também é muito importante que seja atualizado de forma digna e de forma justa para todos os médicos”, disse a sindicalista, que defende um aumento transversal de 30% para repor o poder de compra perdido desde a intervenção da troika.

Em comunicado, a FNAM diz que "Manuel Pizarro ainda não foi capaz de um acordo digno e sem artimanhas escondidas nas cláusulas, com a justa atualização da grelha salarial para todos os médicos". Quanto ao desfecho negocial, diz que "o resultado terá que ser convincente e não pode defraudar as expetativas dos médicos e da população". E anuncia que se mantém a greve de 14 e 15 de novembro , com manifestações locais no dia 14, bem como a reunião em Bruxelas com os eurodeputados e a Comissária para a Saúde, Stella Kyriakides.

Para o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, “está nas mãos do Governo o aspeto que tem a ver com os salários dos médicos que, como eu disse, sofreram uma erosão de 22% nestes últimos anos”.

A proposta do Governo passa por um aumento do salário base de cerca de 5%, o que para o SIM é "uma das limitações sérias para que haja um acordo, já que a própria inflação deste ano foi de cerca de 5,5%, além dos 20% de inflação acumulada". O objetivo do sindicato continua a ser "um salário base digno que permite às pessoas ficarem no Serviço Nacional de Saúde", apontou.

Por seu lado, o ministro Manuel Pizarro afirmou que foi  uma reunião “muito positiva", onde se deu uma “enorme aproximação”, apesar de persistirem “algumas diferenças que têm de ser limadas”.