Lutas

Mediadores socioculturais da AIMA em greve contra a precariedade

30 de março 2026 - 12:45

Mais de 200 trabalhadores são há anos subcontratados a IPSS e ONG para desempenharem funções permanentes na Agência para a Integração, Migrações e Asilo. Esta segunda-feira vão à sede do Governo exigir a integração nos quadros.

PARTILHAR
Modeo de loja da AIMA
Foto Luís Forra/Lusa

Os mediadores socioculturais da AIMA estão em greve esta segunda-feira e vão manifestar-se à porta da sede do Governo para exigir o fim da precariedade.

São cerca de duas centenas de trabalhadores e representam quase metade do quadro de pessoal da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Apesar de desempenharem funções permanentes e essenciais no contacto com os utentes, vivem com contratos precários e são subcontratados pela AIMA a IPSS e ONG. Nalguns casos a situação dura há mais de uma década, quando ainda prestavam serviços para o antigo Alto Comissariado para as Migrações, ganhando hoje o mesmo salário do que quando começaram a trabalhar com estas funções.

Os mediadores socioculturais da AIMA vão exigir a integração dos quadros à porta do Governo, no âmbito da greve convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

"Sem mediadores socioculturais, que são quase metade do quadro de pessoal, a AIMA não funciona, desempenham funções permanentes de contacto com utentes, resolução de problemas e prestam serviços essenciais de técnicos superiores e intermédios", afirmou à agência Lusa o dirigente sindical Artur Sequeira.

Além de serem pagos pelas associações, com salários distintos, não terem direito ao pagamento de horas extraordinárias nem as funções reconhecidas e salários equiparados, o dirigente sindical chama a atenção para outro problema: o de estes mediadores não serem funcionários do Estado e no seu trabalho diário lidarem com “bases de dados sensíveis”, o que vem "criar uma situação de ambiguidade" que pode ser solucionada com a sua integração nos quadros.

Segundo apurou o Diário de Notícias, a adesão à greve é superior a 70% no Porto, enquanto em Lisboa a Loja dos Anjos acumulava centenas de pessoas à porta ao início da manhã, com o atendimento muito condicionado pela greve.

Foi neste local que Artur Sequeira disse à SIC que os trabalhadores querem também “rejeitar a ideia do Governo de manter esta situação até 2028”. “Temos consciência de que a greve vai dificultar ainda mais a vida dos imigrantes, mas é ao Governo que têm de pedir que a AIMA funcione como deve ser, começando por respeitar e dignificar o trabalho e os trabalhadores que estão a fazer este serviço fundamental para os imigrantes e para o país”, afirmou o sindicalista.