No almoço bloquista deste domingo em Santo Tirso com a presença de Mariana Mortágua, Marisa Matias reafirmou a solidariedade do partido com a luta dos trabalhadores da Global Media contra a destruição dos postos de trabalho e dos próprios títulos da imprensa do grupo. "No Porto já acabaram com o Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro e venderam os prédios com grandes lucros. E agora querem acabar com o Jornal de Notícias", sublinhou a eurodeputada e candidata ás legislativas de 10 de março, lembrando que "no JN também já venderam o edifício, só resta saber para onde foram os dez milhões de venda ao capital chinês de um edifício simbólico que agora vai ser um hotel".
Marisa Matias defendeu ser inaceitável "que seja possível que um fundo opaco de piratas das Bahamas que possa investir no nosso país em setores tão essenciais como a comunicação social". "Que os piratas das Bahamas apareçam Genebra a José Paulo Fafe propondo um negócio que nem ele sabia bem qual era e que tudo siga como se nada fosse, não pode ser aceitável", insistiu.
Mas salvar o JN "não é para que este seja um jornal do Porto", pois a sua rede de correspondentes espalhada pelo país "é fundamental para fazer do JN aquilo que é hoje", afirmou Marisa, lembrando que estes correspondentes souberam entre o Natal e o ano novo que a nova administração os queria dispensar.
Outro tema abordado no discurso foi o das dificuldades que sentem os utentes dos transportes na Área Metropolitana do Porto, que pôde testemunhar dias antes em Santo Ovídio, "onde as pessoas esperam e desesperam por um autocarro". A nova rede Unir "veio causar o caos nas vidas de tanta gente" que não consegue chegar aos seus empregos, pois "foi lançada sem preparação e sem nenhuma das condições básicas de funcionamento garantida", criticou Marisa Matias.
Para a candidata bloquista pelo Porto, "é preciso garantir que existe uma entidade metropolitana de transportes que funcione, com recursos humanos qualificados" e que garanta a satisfação de utentes e trabalhadores, para que "não seja preciso fazer greves". Assim, "em vez de soluções que põem trabalhadores e utentes em conflito, precisamos de uma solução em que possam ganhar todos, tendo em conta que "os serviços públicos são essenciais e os transportes públicos são fundamentais na resposta às alterações climáticas".
Marisa Matias referiu ainda a apresentação da coligação de direita entre o PSD, o CDS e o PPM, que se realizou na semana passada no Porto. "Além da mercearia da distribuição de lugares, sabemos muito pouco ao que vêm", declarou a candidata do Bloco, ressalvando que a única proposta conhecida é um pacto de regime para a saúde, feita pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos que surgiu como "representante dos independentes" que apoiam a AD. "Na ideia de Miguel Guimarães, este pacto significaria ver Montenegro e Pedro Nuno Santos de mão dada a explicar às pessoas que estão à espera ao frio por uma consulta porque é que teriam de continuar à espera ao frio por uma consulta", resumiu Marisa Matias.
"O passado foi sempre a especialidade da direita, não é de estranhar esta aliança. Dizem ser da área não socialista, definem-se pela negativa porque não há nenhuma definição pela positiva que os possa unir. São os partidos do contra, que significa oposição. Está certo: é o seu lugar hoje e será o seu lugar amanhã", concluiu.
Ana Isabel Silva: "Não estamos condenados a ser governados pelo PS dos negócios ou pela direita do retrocesso social"
Outra candidata a intervir em Santo Tirso foi Ana Isabel Silva, que começou por destacar a forte presença de "mulheres com ideias fortes e compromissos claros" que ocupam três dos primeiros quatro lugares da lista do Bloco pelo Porto ás legislativas de 10 de março".
Ana Isabel Silva em Santo Tirso. Foto Esquerda.net
A investigadora em Neurociência que já liderou a candidatura do Bloco à autarquia tirsense falou do estado do SNS, a começar pelo que recentemente se passou no concelho, com a inauguração da nova ala de saúde mental do hospital de Santo Tirso. "Depois da inauguração, o edifício fechou e assim se irá manter nos próximos meses porque não tem os profissionais necessários", o que considera "um exemplo paradigmático de como a maioria absoluta do PS tem causado o caos no SNS". E criticou também a "cedência aos lóbis" com a "transferência precipitada" da vacinação para as farmácias, que teve como consequência o aumento dos casos graves de gripe e a escalada dos internamentos hospitalares.
Ana Isabel Silva falou também do que tem ouvido no contacto com a população nesta pré-campanha eleitoral, como na feira da Senhora da Hora, em Matosinhos, onde um reformado se queixava de ter lutado 30 anos para conseguir a sua casa, mas que a sua filha, enfermeira, "leva para casa 900 euros e esses 900 euros são a renda que tem de pagar". Face à crise da habitação no distrito, Ana Isabel Silva defendeu a proposta das rendas controladas, "como acontece em Berlim ou já acontece em Barcelona".
Afirmando que a maioria da população "está cansada" de não ver respostas aos seus problemas, a candidata bloquista assegurou que "não estamos condenados a ser governados pelo PS dos negócios ou pela direita do retrocesso social" e que o voto no Bloco é a alternativa que conta para mudar as políticas.
Ana Isabel Silva em Santo Tirso. Foto Esquerda.net