Bloco defende aumento anual de 50 euros no salário mínimo real

14 de janeiro 2024 - 15:03

Num almoço com apoiantes em Santo Tirso, Mariana Mortágua propôs o aumento intercalar do salário mínimo para 900 euros este ano e subidas anuais de 50 euros acrescidos do valor da inflação em cada ano da próxima legislatura.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua. Foto Ana Medes/Arquivo Esquerda.net

A pré-campanha eleitoral do Bloco passou este domingo por Santo Tirso, num almoço com apoiantes e intervenções de Mariana Mortágua e das candidatas Marisa Matias, que encabeça a candidatura bloqista pelo Porto, e Ana Isabel Silva. No seu discurso, a coordenadora do Bloco defendeu medidas para aumentar salários, pois o partido não se resigna "à economia que espera a gorjeta do turista para completar o salário de miséria".

"Não nos contentamos com a proposta do PS que atira para 2028 um salário mínimo ainda inferior ao que Espanha tem hoje", afirmou Mariana Mortágua, recordando que essa diferença seria de 134 euros. Em alternativa, a coordenadora bloquista promete bater-se por "uma subida intercalar do Salário Mínimo, já este ano, para os 900€ e um aumento real de 50€ nos anos seguintes". Ou seja, um compromisso que garanta "que à inflação se somam 50€ de aumento por mês, todos os anos, na próxima legislatura".

Mas o aumento do salário mínimo não basta, prosseguiu a coordenadora do Bloco, pois "quando se condena quem tem 20 anos de carreira a um salário pouco diferente de quem está agora a começar, despreza-se o percurso e dedicação de quem tem mais experiência". Para que os salários médios possam crescer, o Bloco insiste na proposta dos leques salariais, uma proposta com impacto nas maiores empresas que empregam mais gente.

Para aumentar os salários médios, não bastam palavras mobilizadoras, pois "nenhuma palavra tirará uma hora de sono a Soares dos Santos, que paga a si próprio num ano o mesmo que um funcionário do Pingo Doce precisaria de mais de 180 anos de trabalho para ganhar". Na proposta do Bloco, nenhum trabalhador pode ganhar menos por ano do que um administrador da mesma empresa ganha por mês.

"Salário digno é o direito a não precisar de apoios sociais. Vida boa começa por ser salário digno, casa para viver e igualdade entre homens e mulheres", prosseguiu Mariana Mortágua, defendendo também o reforço da contratação coletiva "para que se acabe com o abuso da precariedade, dos horários longos demais, dos salários baixos demais".