A coordenadora do Bloco de Esquerda reuniu esta quarta-feira com a Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Autoeuropa para falar sobre os postos de trabalho em risco na Vanpro e também sobre a vaga de despedimentos na indústria automóvel.
Em causa está a decisão da Volkswagen de entregar a encomenda dos assentos para o modelo automóvel a produzir no final de 2025 a uma empresa alemã, que coloca em risco os 475 trabalhadores da Vanpro, a empresa que produz atualmente os assentos para os carros da marca.
Sobre os postos de trabalho nessa empresa, Mariana Mortágua apelou à possibilidade dos cerca de 400 trabalhadores serem acolhidos pela empresa que passará a fornecer assentos para os carros produzidos na Autoeuropa e considerou importante “que a escolha aqui não seja entre o despedimento ou regredir anos em salários e em condições laborais”.
Já sobre os despedimentos em vários setores da indústria portuguesa, a dirigente bloquista salientou que a norte “várias empresas já fecharam e desde setembro há centenas de empresas a declarar falência e milhares de trabalhadores a ser despedidos”. Mariana Mortágua acusou o Governo de não fazer “nada” e esclareceu que “um governo que governa para negócios não é igual a um governo que governa para a economia”.
Vanpro
Decisão da Volkswagen coloca em risco mais de 400 postos de trabalho em Palmela
“Ao mesmo tempo que vemos o Governo a estender as concessões de todos os portos em Portugal por mais 75 anos e a garantir o negócio a essas grandes empresas, estamos a ver milhares de despedimentos a acontecer sem uma palavra do governo sobre como é que vamos reconverter o setor automóvel, como é que vamos qualificar estas pessoas e como é que vamos preparar Portugal para uma transição climática”, disse a coordenadora do Bloco de Esquerda.
Sobre a crise nestes setores da indústria, Mariana Mortágua admitiu que “cada caso é um caso” e que no caso da indústria automóvel “temos de compreender que há uma reconversão de toda a indústria” e por isso é preciso preparar a indústria, pensando os setores estratégicos que Portugal pode desenvolver e qualificando os trabalhadores.
Confederação europeia de sindicatos pede "moratória sobre despedimentos"
A Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC, na sigla inglesa) apelou a uma "moratória sobre despedimentos" no setor industrial face "uma crescente crise de emprego exacerbada pela falta de política industrial na Europa".
O pedido ocorre durante uma onde de despedimentos na indústria automóvel mas onde várias outras empresas também estão a ultrapassar dificuldades. É o caso da Volkswagen, Siemens, Thyssenkrupp, Ford, Audi, Auchan e Northvolt.
A secretária-geral da ETUC, Esther Lynch, apontou que "uma política industrial bem concebida, apoiada por um aumento do investimento, pode pôr termo a esta crise, e uma diretiva de transição justa garantiria que nenhum trabalhador fosse deixado para trás".
Entre 2009 e 2023, 2,3 milhões de empregos na indústria foram perdidos na União Europeia.