Autoeuropa

Mariana Mortágua pede pensamento estratégico sobre a indústria para defender trabalhadores

18 de dezembro 2024 - 12:26

Mariana Mortágua reuniu com a Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Autoeuropa para falar sobre os trabalhos em risco na Vanpro e a crise da indústria automóvel.

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Mariana Mortágua na Autoeuropa
Mariana Mortágua na Autoeuropa. Fotografia de Esquerda.net

A coordenadora do Bloco de Esquerda reuniu esta quarta-feira com a Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Autoeuropa para falar sobre os postos de trabalho em risco na Vanpro e também sobre a vaga de despedimentos na indústria automóvel.

Em causa está a decisão da Volkswagen de entregar a encomenda dos assentos para o modelo automóvel a produzir no final de 2025 a uma empresa alemã, que coloca em risco os 475 trabalhadores da Vanpro, a empresa que produz atualmente os assentos para os carros da marca.

Sobre os postos de trabalho nessa empresa, Mariana Mortágua apelou à possibilidade dos cerca de 400 trabalhadores serem acolhidos pela empresa que passará a fornecer assentos para os carros produzidos na Autoeuropa e considerou importante “que a escolha aqui não seja entre o despedimento ou regredir anos em salários e em condições laborais”.

Já sobre os despedimentos em vários setores da indústria portuguesa, a dirigente bloquista salientou que a norte “várias empresas já fecharam e desde setembro há centenas de empresas a declarar falência e milhares de trabalhadores a ser despedidos”. Mariana Mortágua acusou o Governo de não fazer “nada” e esclareceu que “um governo que governa para negócios não é igual a um governo que governa para a economia”.

“Ao mesmo tempo que vemos o Governo a estender as concessões de todos os portos em Portugal por mais 75 anos e a garantir o negócio a essas grandes empresas, estamos a ver milhares de despedimentos a acontecer sem uma palavra do governo sobre como é que vamos reconverter o setor automóvel, como é que vamos qualificar estas pessoas e como é que vamos preparar Portugal para uma transição climática”, disse a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Sobre a crise nestes setores da indústria, Mariana Mortágua admitiu que “cada caso é um caso” e que no caso da indústria automóvel “temos de compreender que há uma reconversão de toda a indústria” e por isso é preciso preparar a indústria, pensando os setores estratégicos que Portugal pode desenvolver e qualificando os trabalhadores.

Confederação europeia de sindicatos pede "moratória sobre despedimentos"

A Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC, na sigla inglesa) apelou a uma "moratória sobre despedimentos" no setor industrial face "uma crescente crise de emprego exacerbada pela falta de política industrial na Europa".

O pedido ocorre durante uma onde de despedimentos na indústria automóvel mas onde várias outras empresas também estão a ultrapassar dificuldades. É o caso da Volkswagen, Siemens, Thyssenkrupp, Ford, Audi, Auchan e Northvolt.

A secretária-geral da ETUC, Esther Lynch, apontou que "uma política industrial bem concebida, apoiada por um aumento do investimento, pode pôr termo a esta crise, e uma diretiva de transição justa garantiria que nenhum trabalhador fosse deixado para trás".

Entre 2009 e 2023, 2,3 milhões de empregos na indústria foram perdidos na União Europeia.