Este domingo, 19 de outubro, milhares de pessoas voltam a sair à rua em Lisboa pelo fim do genocídio e da ocupação da Palestina. A Marcha pela Palestina é convocada pela Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, Amnistia Internacional, Greenpeace, Médicos Sem Fronteiras e a Fundação José Saramago, tem início às 15h30 no Rossio, seguindo-se o desfile para o Largo José Saramago (Campo das Cebolas).
O acordo para um cessar-fogo entre Israel e o Hamas não trava as mobilizações de solidariedade com a Palestina. No terreno há notícias de violação do acordo por parte de Israel, que esta terça-feira matou cinco palestinianos na cidade de Gaza e continua a restringir a entrada de ajuda humanitária, permitindo a entrada de apenas 300 camiões por dia, metade do número mínimo estabelecido no plano de Trump. A justificação israelita é que o Hamas ainda não entregou todos os corpos dos reféns, que se encontram sob os escombros dos bombardeamentos de Israel. O negociador de reféns Gershon Baskin disse à SBS News que já previa que a entrega dos corpos iria ser um problema, tendo inclusive abordado o assunto com o enviado dos EUA Steve Witkoff. A razão dessa dificuldade, aponta, é que muitos dos comandantes do Hamas que eram responsáveis pelos reféns foram entretanto também eles mortos nos ataques israelitas a Gaza, desaparecendo com eles a informação do local onde os enterraram.
Na Cisjordânia, a agência de notícias palestiniana Wafa dá conta de uma série de raids militares israelitas às casas de familiares de presos que serão libertados no âmbito do acordo de cessar-fogo, com ameaças de represálias caso organizem celebrações pelo seu regresso a casa. Em ar-Ram, a norte de Jerusalém, um palestiniano com 57 anos foi espancado até à morte por militares israelitas, enquanto a localidade de al-Mughayyir viu esta quarta-feira fechada pelos soldados de Israel o único ponto de entrada e saída dos seus habitantes. Enquanto isso, no sul de Gaza, tanques israelitas abriram fogo contra palestinianos em Bani Suheila e no bairro de Sheikh Nasser, no este de Khan Younis, relata a mesma agência de notícias.
Greve em Espanha arrancou com cortes de estrada e manifestações
Esta quarta-feira a solidariedade internacional com a Palestina passa por uma greve em Espanha para reclamar uma “paz duradoura” em Gaza. UGT e Comisiones Obreras convocaram três greves parciais entre as 2h e as 4h, as 10h e as 12 e as 17h e as 19h.
La vaga per Palestina en funcionament! Primeres mobilitzacions del torn de matinada! La Seat de Martorell!! pic.twitter.com/4WZU74GK50
— CCOO de Catalunya (@ccoocatalunya) October 15, 2025
Já a CGT convocou greve geral de 24 horas, tal como organizações sindicais como a Solidariedad Obrera, Alternativa Sindical de Clase ou a Confederación Intersindical. No País Basco, a central sindical ELA convoca greve de quatro horas, tal como o fazem as Confederações Intersindicais da Galiza e Catalunha. Em Madrid, os sindicatos e organizações de solidariedade com a Palestina têm manifestação marcada para o final do dia.
Alguns sindicatos exigem ao Governo espanhol o corte de relações comerciais com Israel e dizem que a manutenção da trégua e o fim do massacre do povo palestiniano só será alcançado se a comunidade internacional fizer o que se fez com a África do Sul para acabar com o regime do apartheid daquele país. O movimento estudantil também integra esta jornada de greve, apelando igualmente ao corte imediato de relações entre universidades espanholas com empresas israelitas.
A mobilização nas ruas começou o dia em força na Catalunha, com o corte do acesso ao porto de Barcelona, piquetes e manifestações em várias localidades. Na Galiza também houve piquetes nas ruas das grandes cidades, com o de Compostela a dirigir-se ao tribunal onde estão a ser julgados nove detidos numa das manifestações de solidariedade com a Palestina. Na Andaluzia, o Canal Sur, estação televisiva do governo autonómico, foi obrigado a interromper a emissão por causa da greve.
La vaga per Palestina en funcionament! Primeres mobilitzacions del torn de matinada! La Seat de Martorell!! pic.twitter.com/4WZU74GK50
— CCOO de Catalunya (@ccoocatalunya) October 15, 2025