Após os manifestantes terem sido retirados da sala onde decorriam os trabalhos, o secretário de Estado da Cultura adiantou que "compreendia a exigência de um por cento para a cultura, mas que nenhum Governo, desde o 25 de Abril, conseguiu fazê-lo, e no quadro económico atual ainda menos".
“É difícil pensar que hoje nestas circunstâncias se possam alimentar certas ilusões, mas é bom que essa ilusão exista porque devemos lutar por ela”, frisou.
“Juntemos vozes em defesa da cultura”
No exterior da Assembleia da República, o coletivo Manifesto em defesa da Cultura promoveu um “ato simbólico de protesto pela iminente aprovação de mais um Orçamento do Estado contra a Cultura e de exigência de 1% para a Cultura”.
Durante a iniciativa, agendada para o meio dia, foi estendida uma faixa com a inscrição '1%' e foi lido o apelo que passamos a transcrever:
“ACÇÃO! 1% PARA A CULTURA!
É ESTA A NOSSA MEDIDA: 1% PARA A CULTURA
Vemos, ouvimos e lemos, sabemos e experimentamos na pele os efeitos destrutivos de uma política cega para o país e para a nossa cultura. Se não formos nós a denunciá-lo, agora, aqui, já não sobrará ninguém para o fazer. Não se trata apenas de salvar as nossas pequenas mas preciosas vidas, não se trata apenas de garantir o futuro dos jovens que agora partem por não encontrar lugar neste país para a sua energia, talento e trabalho. Trata-se de também da responsabilidade histórica indeclinável que nos cabe de defender a riqueza e o património de gerações inteiras, de vidas, de séculos. Da responsabilidade que temos em resistir a qualquer roubo, seja quando nos roubam o salário, o trabalho ou o futuro. Da responsabilidade que temos de lutar contra um orçamento de estado que mais uma vez vem cortar na cultura. De lutar por isso, por eles e por nós, com toda a gravidade e coragem.
Dizemos que já tem tempo demais este caminho de desresponsabilização do Estado e destruição do serviço público de cultura que milhares de mulheres e homens asseguram. Dizemos que já são anos demais de negação do direito constitucional de acesso de todos à cultura, à criação e à fruição.
Nem na noite mais triste poderíamos abdicar do que é justo, do mínimo da lista dos precisos. No momento em que é apresentado mais um Orçamento do Estado contra a cultura, dizemos que o justo e o preciso é 1% para a Cultura. Que é esta a nossa medida para os piores e os melhores momentos.
Juntemos vozes em defesa da cultura
No dia da apresentação do Orçamento do Estado contra a cultura, 7 de Novembro, ao meio-dia, na escadaria da Assembleia da República!"