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Manifestações pelo direito à habitação, contra a especulação imobiliária e os despejos

Neste sábado realizaram-se manifestações em Lisboa e no Porto que disseram “Basta à especulação brutal, aos despejos e à segregação”. Bloco anunciou apresentação de “moratória aos despejos alargando abrangência às situações sem alternativa viável”. Veja vídeo da manifestação de Lisboa.
Manifestação pelo direito à habitação em Lisboa - Foto esquerda.net
Manifestação pelo direito à habitação em Lisboa - Foto esquerda.net

Em Lisboa, centenas de pessoas concentraram-se no Largo do Intendente onde a manifestação teve início. Ao longo do percurso, os participantes foram sempre aumentando.

Rita Silva da Associação Habita disse à agência Lusa em Lisboa que a manifestação “pretende acabar com a situação de os jovens não conseguirem sair de casa dos seus pais”, porque não conseguem arranjar um quarto para alugar. Rita Silva sublinhou que atualmente o problema da habitação não se limita ao centro da cidade e já chegou à periferia da capital, onde vivem famílias que estão a ser “despejadas de forma cruel e bárbara”.

Dizer basta à segregação

Em declarações ao esquerda.net, Rita Silva salientou que é preciso dizer “Basta à especulação brutal , aos despejos e à segregação”.

“É preciso dizer Basta à especulação brutal que paira neste momento nas nossas cidades. É preciso dizer Basta aos despejos”, pois há “pessoas com medo de receberem carta do senhorio a dizer que não vai renovar o contrato” ou convocando a sair, por aumentos de renda ou por obras, afirmou Rita Silva. A ativista afirmou também que “é preciso dizer basta à segregação que existe nesta cidade”, lembrando que muitas pessoas “não têm dinheiro não podem continuar a viver na cidade e estão a ser afastadas para fora”.

Manuel Grilo, vereador do Bloco de Esquerda em Lisboa, participou na manifestação em Lisboa
Manuel Grilo, vereador do Bloco de Esquerda em Lisboa, participou na manifestação em Lisboa

A ativista do Habita realçou que “todas as pessoas têm direito a uma habitação decente” e indicou que a “luta social vale a pena e pode alterar a situação”, explicando que a situação “não é exclusiva de Portugal e tem a ver com a financiarização do capitalismo”, alimentada pela política dos governo, “como os vistos gold, os benefícios fiscais a residentes não habituais, a isenção dos fundos de investimento imobiliário”.

Nova moratória para os despejos”

A deputada bloquista Maria Manuel Rola anunciou que o partido vai apresentar uma “moratória aos despejos para alargar a abrangência às situações sem alternativa viável”.

A deputada destacou que o Bloco tem “acompanhado de perto” a luta pelo direito à habitação, contra os despejos e manifestou a solidariedade com as manifestações que tiveram lugar neste sábado, em Lisboa e no Porto.

Pelo direito à habitação e contra a especulação imobiliária no Porto

Em declarações à Lusa, Paula Magalhães da Assembleia de Moradores do Porto deixou uma mensagem e um apelo ao presidente da autarquia, Rui Moreira.

“A mensagem que queremos deixar é não abandonar o Porto, não deixar o Porto sem as suas raízes, as suas tradições, sem o povo que faz o Porto”, disse, lembrando que “não são as pessoas que vêm para aqui cinco dias por ano, um mês que seja, que fazem as nossas tradições”.

Manifestação pelo Direito à Habitação no Porto, foto de Pedro Miguel Pereira Faria/facebook
Manifestação pelo Direito à Habitação no Porto, foto de Pedro Miguel Pereira Faria/facebook

“Eu estou numa situação de despejo, não quero sair da baixa, é o único sítio onde sei viver e que conheço. Isto já não é o centro histórico, as pessoas já não vem para o centro histórico, vêm para o Porto, a marca que quiseram vender. Isto não é uma marca, é uma cidade com história e com um povo incrível”, acrescentou Paula Magalhães, que disse ter nascido no número 194 da Rua dos Caldeireiros.

Ana Barbeiro, do coletivo O Porto Não se Vende, considerou que é necessário “pensar um bocadinho que cidade é que queremos, se é uma cidade sem os seus habitantes, estamos perto de zonas da cidade que têm mais turistas do que habitantes”.

“Não podemos ter uma cidade onde haja mais lugar para alojar turistas do que a população local”, sublinhou.

Notícia atualizada às 18h45 de 22 de setembro de 2018 e às 23h15 com vídeo da manifestação

 

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