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Manifestações marcam um ano sem Marielle e Anderson

Passado um ano do assassinato de Marielle Franco, várias ações não a deixaram cair no esquecimento e exigiram saber os nomes dos mandantes do crime. Em Portugal centenas de pessoas estiveram nas ruas de Lisboa, Porto e Coimbra. No Brasil foram inúmeras as ações de protesto que lembraram que “Marielle Vive”.
Foto de Paula Nunes

“Oi, oi, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano.” Assim gritaram cerca de 350 pessoas na concentração realizada em Lisboa para assinalar um ano do assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco. Depois da operação policial que prendeu dois dos supostos autores materiais do assassinato, os manifestantes exigiram que o caso fosse esclarecido até às últimas consequências.

Para além da concentração que aconteceu em Lisboa, no Largo Camões, convocado por várias associações que se juntaram ao repto lançado pelo Coletivo Andorinha, também houve protestos no Porto na Rua de Santa Catarina convocados pela associação Fibra, Frente de Imigrantes Brasileiros Antifascistas do Porto, e pela Coletiva. Depois seguiu-se à concentração um jantar na Associação Cochiló.

Em Coimbra, a manifestação foi na Praça 8 de Maio e foi convocada pela associação Vozes no Mundo – Frente pela Democracia no Brasil.

Joana Mortágua, deputada do Bloco presente na concentração, sabe que “ela foi morta por dar voz àqueles que não têm voz, sendo ela também uma mulher negra, favelada, cria de Maré, que representou tantas lutas importantes no Brasil” e promete não a deixar esquecer, dando “voz às causas pelas quais ela deu voz”. Exigiu ainda: “é preciso saber quem mandou matar Marielle”

Um Brasil de mil outras Marielles

No Brasil inúmeras atividades foram organizadas para não deixar esquecer a data. Houve manifestações em todas as capitais dos Estados brasileiros e os deputados do partido a que Marielle pertencia, o PSOL, usaram na Câmara dos Deputados camisolas em que se perguntava “Quem mandou matar Marielle?”.

No Rio de Janeiro murais sobre Marielle voltaram a ser pintados depois de destruídos e o Sindicato dos Metroviários batizou uma estação de metro com o nome da vereadora. Foi também publicado um livro dela sobre segurança pública.

No Recife uma ocupação de um edifício devoluto por 200 famílias recebeu o seu nome. As Mulheres Sem Terra e o Movimento Popular Camponês deram o nome de Marielle à ocupação das terras de João de Deus, acusado de abuso sexual das fiéis do seu culto. E em Valinhos também houve homenagem no acampamento com o nome “Marielle Vive”.

Em Londrina houve uma campanha de doação de sangue.

Ao lado do Brumadinho local da recente tragédia com o desabamento de uma barragem, na localidade de Sarzedo houve ocupação de ferrovia que pedia justiça para Marielle e para as vítimas da derrocada, a intervenção policial causou onze feridos.

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