“Queremos uma vida justa”. Este é o mote da convocatória da manifestação do próximo dia 21 de outubro.
Os organizadores traçam o retrato das dificuldades vividas no quotidiano pela maioria da população, e que despoletam este protesto: “Temos dificuldade em ter casa, vivemos em habitações sem condições, hoje o aluguer de um quarto custa o que se pagava por uma casa há dez anos; trabalhamos com salários que nunca aumentam e não chegam para os 30 dias do mês; os nossos bairros têm falta de transportes públicos, os grandes investimentos são feitos para linhas circulares para turistas, é suposto nós não termos direito à cidade, fora da hora de trabalho; os preços dos bens essenciais estão cada vez mais caros, há muito que não tínhamos dinheiro para férias, hoje não temos dinheiro para o leite; os governos não nos respeitam, a polícia trata-nos como se não fossemos pessoas: cercam os nossos bairros e agridem os jovens”.
Os problemas de quem cria riqueza e trabalha todos os dias, “haja pandemia ou não”, parecem “invisíveis”. “A verdade é que aquilo que se vê nas televisões, aquilo que se preocupam os governos é com os banqueiros e ‘contas certas’. São sempre contas para quem é rico nunca pensam em quem trabalha”, lê-se no documento.
Neste contexto, e depois de, em fevereiro, milhares de pessoas se terem juntado em resposta ao apelo do movimento Vida Justa contra o aumento do custo de vida e por uma democracia em pleno, a 21 de outubro, voltam a ocupar as ruas para que a maioria possa fazer “ouvir a sua voz”.
“A injustiça persiste também por causa do nosso silêncio. Vamos tomar a palavra e exigir que se façam políticas justas que promovam a igualdade: todos e todas temos direito a ter uma vida justa, merecemo-la todos os dias em que trabalhamos, e os jovens merecem ter um futuro melhor”, escrevem.
Travar o aumento de preços, garantir casa para viver, transportes para todos, aumento dos salários, e acabar com repressão policial nos bairros figuram entre as reivindicações que estão na base desta manifestação, agendada para as 15h, e que conta com um percurso do Rossio à Assembleia da República.