“Costa, escuta, queremos vida justa!”

25 de fevereiro 2023 - 17:35

Milhares de pessoas juntaram-se em resposta ao apelo do movimento Vida Justa contra o aumento do custo de vida e por uma democracia em pleno. Isabel Pires diz que é “a resposta de uma maioria social que se levanta por melhores condições de vida, mais salário, mais habitação e respostas do governo a esta crise económica”.

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Manifestação Vida Justa. Foto de MIGUEL A. LOPES/LUSA.
Manifestação Vida Justa. Foto de MIGUEL A. LOPES/LUSA.

O aumento do custo de vida levou milhares de pessoas a desfilar este sábado entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República. Ao longo do percurso, acompanhadas por tambores, puderam-se ouvir palavras de ordem e ler faixas com reivindicações como “Costa, escuta, queremos vida justa!”, “Lutar, lutar, para a fome acabar. Lutar, lutar, queremos casas para morar”, “casas para morar, não para especular”, “queremos pão, não inflação”, “basta de aumento dos preços”, “Casa? Mas para quem?”, “A cidade a quem nela trabalha”.

O movimento Vida Justa apostou na mobilização dos bairros da periferia da Grande Lisboa como “forma mais sonante” de um protesto que é para continuar. Isso mesmo explicou Rui Estrela, um dos seus vários porta-vozes, em declarações à Lusa. Os participantes exigem uma “democracia em pleno” na qual possam participar.

O grupo que convocou a manifestação escreve em comunicado que no país se vive uma situação em que “todos os dias os preços sobem, os despejos de casas aumentam e os salários dão para menos dias do mês. As pessoas estão a escolher se vão aquecer as suas casas ou comer”, sendo preciso um programa de resposta à crise que “defenda quem trabalha”, que tabele preços da energia e de produtos alimentares essenciais, congele juros dos empréstimos bancários, proíba despejos, impeça rendas especulativas das casas, aumente salários acima da inflação e aplique medidas de apoio ao comércio e pequenas empresas e valorização económica e social dos trabalhos mais invisíveis como o de quem trabalha na limpeza.

Manifestações “justíssimas”

A deputada Isabel Pires esteve presente e, em nome do Bloco de Esquerda, considerou que estas manifestações são “justíssimas” e “a resposta de uma maioria social que se levanta por melhores condições de vida, por mais salário, por mais habitação e por respostas do governo a esta crise económica”.

Questionada sobre que propostas o partido tem apresentado para combater a crise escolheu destacar dois dos campo no centro das preocupações das pessoas que se manifestavam: a habitação e os rendimentos. Sobre a primeira questão, defende que o Bloco tem tido “respostas bastante claras e que até agora o governo do PS não tem acolhido”, exemplificando as propostas para “controlar efetivamente o preço das rendas” e “fazer com uma parte da nova construção vá para custos controlados”. No campo do trabalho, sublinhou que o partido tem “insistido muito na valorização das carreiras profissionais”, na valorização dos salários “que não estão a acompanhar a inflação nem sequer há medidas de combate efetivo a essa inflação”, para além das propostas sobre leis laborais “têm sido recusadas por uma maioria do PS que se recusa a ver a crise que está neste momento a assolar o país e que não tem nenhuma resposta”.