As ONG Mediterranea Saving Humans e Sea-Watch localizaram este fim de semana uma embarcação naufragada em águas líbias com 32 pessoas no casco do navio que se virou.
“Só se salvaram os que conseguiram subir para o fundo do barco e permanecer agarrados, lutando contra o frio, as ondas e a exaustão. De 105, 32 sobreviveram. Felizmente, o avião encontrou-os. Caso contrário, todos se teriam afogado e nunca teríamos sabido. Continuaríamos a ter um naufrágio invisível e silencioso, como tantos outros”, escreveu o socorrista grego Iasonas Apostolopoulos (Mediterranea Saving Humans) nas suas redes sociais. Os sobreviventes foram levados para a ilha de Lampedusa e apenas foram encontrados dois cadáveres.
Para a Sea-Watch, “este naufrágio podia ter sido evitado se a Comissão Europeia tivesse criado um programa de busca e salvamento. As mortes no mar têm de acabar - passagens seguras já!”, reclama a organização, que na sexta-feira tinha resgatado 44 pessoas na plataforma petrolífera abandonada de Didon, onde permaneciam há cinco dias depois de nenhum governo responder aos seus pedidos de ajuda.
Europa-Fortaleza
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A ausência de vias seguras de passagem e de mecanismos de resgate eficazes têm levado a que muitos destes naufrágios nunca sejam conhecidos, nos casos em que não há sobreviventes. A Organização Internacional das Migrações diz que no ano passado morreram 21 migrantes por dia nas rotas migratórias em todo o mundo.
Esta agência da ONU diz que as rotas marítimas são as mais perigosas, com pelo menos 2.185 mortos e desaparecidos no Mediterrâneo e outros 1.214 na rota atlântica em direção ás ilhas Canárias. Dos “naufrágios invisíveis” há apenas o registo de 270 restos mortais que deram à costa no Mediterrâneo sem estarem associados a naufrágios conhecidos.
Só no primeiro trimestre deste ano, a OIM fala em 683 migrantes mortos ou desaparecidos no Mediterrâneo. No mesmo período, segundo dados do governo italiano, chegaram a Itália 6.175 migrantes que cruzaram o mar nestas embarcações.