Mais deserções no regime líbio

01 de abril 2011 - 11:52

Novo chefe da delegação na ONU nomeado por Khadafi recusa o cargo e rompe com o governo. Grupo de personalidades terá optado pelo exílio em Tunes.

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Ali Abdessalam Treki, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros que fora nomeado pelo governo líbio para chefiar a delegação na ONU, não aceitou a nomeação. Foto de Wilson Dias/ABr

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Depois da deserção do ministro dos Negócios Estrangeiros líbio, Moussa Koussa, que fugiu para Londres, um efeito dominó parece estar a ocorrer na cúpula do regime de Khadafi. Ali Abdessalam Treki, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros que fora nomeado pelo governo líbio para chefiar a delegação na ONU, não aceitou a nomeação e disse no Cairo que não aceitará qualquer cargo no actual governo líbio. Entretanto, jornais árabes citados pela Al Jazira dizem que um grupo de personalidades do governo líbio enviadas a Tunes decidiu optar pelo exílio e romper com Khadafi.

Entre eles estaria Abu Al Qassim Al Zawi, presidente do Comité Popular líbio, o equivalente ao Parlamento. Também Abu Zayed Dordah, que foi primeiro-ministro entre 1990 e 1994, teria retirado o apoio a Khadafi.

Khadafi tenta negciar

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o regime líbio enviou para Londres Mohamed Ismail, um dos principais assessores de Saif al Islam, filho de Khadafi, que se terá reunido com o embaixador britânico na Líbia e vários dirigentes do MI6 para tentar pôr termo ao conflito.

Segundo o Guardian, terão sido discutidos vários cenários, incluindo a possibilidade de Khadafi se manter no poder mas apenas de forma simbólica, renunciando de facto ao governo. Outra possibilidade seria a criação de um governo de unidade nacional encabeçada por Mutassim Khadafi (outros dos filhos) e que incluiria ministros da oposição.

Um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros britânico não especificou o conteúdo das conversações e limitou-se a declarar que a mensagem entregue a Ismail é que Khadafi tem de sair e que será julgado por crimes cometidos diante do Tribunal Penal Internacional.