Vale do Ave

Mais de mil despedimentos no calçado e têxtil só numa semana

17 de setembro 2025 - 10:16

Há pelo menos outros mil trabalhadores com o emprego em risco nestes setores no Vale do Ave por as suas empresas enfrentarem processos de insolvência. Para além desta região, em Aveiro e Braga também se vive uma onda de despedimentos e falências pós-férias.

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Fábrica têxtil.
Fábrica têxtil. Foto de Ehsan Namavar/freeimages.com.

O regresso das férias costuma ser uma ocasião em que muitos trabalhadores se deparam com as fábricas fechadas. A primeira semana de setembro deste ano foi ainda pior do que o costume.

É isto que dá conta o Jornal de Notícias esta segunda-feira, noticiando que nos primeiros dias deste mês “o fecho de fábricas e os despedimentos coletivos nos setores do têxtil e do calçado enviaram mil pessoas para o desemprego, só no Vale do Ave, com outras mil em risco devido a insolvências das suas empresas”.

Ainda não há estatísticas e as falências das fábricas mais pequenas muitas vezes escapa às notícias, até às dos jornais locais. Mas os sindicatos têm já ideia do que se está a passar. Àquele jornal, Francisco Vieira, coordenador do Sindicato Têxtil do Minho e de Trás-os-Montes, corrobora que o que se passa “está a ser muito pior do que nos últimos anos”. Só com o encerramento das unidades de Guimarães e Vizela da Polopiqué há 280 despedimentos confirmados. Com reestruturações noutras unidades, o número subirá até 400. Sem salário, os trabalhadores manifestaram-se e denunciam que já há situações de fome entre eles.

Depois há casos como a StampDyeing, em Ponte, Guimarães, do Grupo Mabera e Coelima, que fechou sem explicações, deixando uma centena sem trabalho e sem os salários de julho e agosto e o subsídio de férias. Na Daria, fábrica de calçado da vila de São Torcato, foram 70 despedidos, também com dois salários e o subsídio a não serem pagos. Em Selho São Lourenço, foi a Bravisublime, do mesmo setor, que deixou 42 trabalhadores no desemprego e não pagou agosto e subsídio de férias.

O JN acrescenta ainda a esta lista um conjunto de 17 empresas que terão pedido insolvência ou para as quais esta terá já sido sentenciada. Entre elas, as empresas do calçado Leansofi, Protagonist Cotton, Quimera Notável, Summer Gather, Linolito, Cleverfil e Alberto Ângelo e Castro, no caso do setor têxtil. E as do calçado Catch1Number, Friendly Fire e Magiperles.

Outras empresas não fecharam mas têm ainda salários em atraso como a Tearfil e a Somelos. E a JF Almeida, que tem 800 trabalhadores, apresentou um pedido de Processo Especial de Revitalização, apesar de prometer não despedir ninguém.

Para além da situação grave no Vale do Ave, aquele jornal assinala ainda que “no eixo entre os distritos de Aveiro e Braga, a crise fez pelo menos mais 150 despedimentos”. Com encerramentos por exemplo na Pamtext, de Famalicão, e o despedimento de 20 trabalhadores, na Passos, no Porto, com 30 funcionários despedidos, ou na YFFII de Oliveira de Azeméis, com 80.

Termos relacionados: Sociedade Despedimento