Maio foi o mais quente e seco desde 1931 em Portugal

09 de junho 2022 - 11:37

No final de maio, quase todo o território continental estava em situação de seca severa, aponta o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

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Foto Wendelin Jacober/Flickr

O índice meteorológico de seca dá conta do agravamento da situação em Portugal em maio, com 97% da área de Portugal Continental em situação de seca severa, face a abril, quando essa área correspondia apenas a 4,3% do território. Comparando com situações anteriores de seca em maio, em 1992, 1995, 2005 e 2012, verifica-se que o país tem agora mais território em situação de seca severa, embora menos em situação de seca extrema (1.4%)

Segundo o Boletim Climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o mês de maio classificou-se como "extremamente quente e muito seco", tendo sido "o maio mais quente dos últimos 92 anos", com o valor médio da temperatura média a atingir 19.19°C, quase três graus e meio acima da média entre os anos 1971 e 2000. Foi o mais elevado desde 1931, tal como o valor médio da temperatura máxima, que ascendeu aos 25.87°C, quase cinco graus acima da média das últimas três décadas do século XX. Quanto à temperatura mínima, o seu valor médio foi de 12.52°C, mais dois graus do que a média e o terceiro mais elevado desde 1931, superado apenas pelos meses de maio de 2011 e de 2020.

Os maiores desvios à média das temperaturas foram registados em Portalegre - com mais 5.1°C quanto à temperatura média e mais 4.1°C quanto à mínima - e Mora, com um desvio de mais 7°C quanto à temperatura máxima. Os menores desvios às médias das temperaturas máxima, mínima e média ocorreram todos em S. Pedro de Moel - +1.5°C, +0.3°C e -0.9°C, respetivamente.

Nos últimos 20 anos, apenas em 2002, 2008 e 2013 as temperaturas médias de maio registaram valores inferiores ao normal no período 1971-2000. E dos dez meses de maio mais quentes desde 1931, sete ocorreram já este século.

Precipitação em maio foi a segunda mais baixa desde 1931

Quanto à precipitação, com um valor médio de 8.9mm, correspondeu a apenas 13% do valor normal para o mês de maio entre 1971 e 2000. Nos últimos 20 anos, apenas três meses de maio registaram valores de precipitação acima do normal. Fazendo as contas ao ano hidrológico, desde 1 de outubro de 2021, a precipitação até ao fim de maio correspondeu a metade do valor normal e o segundo valor mais baixo desde 1931.

Tudo isto contribuiu para a diminuição significativa dos valores de percentagem de água no solo em todo o território. Nas regiões do interior Norte e Centro, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, esses valores ficam mesmo abaixo dos 20%.

Seca em Portugal

13 de março 2022

"Heatburst" em Beja foi o fenómeno meteorológico extremo registado na noite de 21 de maio

No que respeita aos valores extremos registados em maio, a temperatura mínima mais baixa e a maior intensidade do vento foram registadas logo no primeiro dia do mês em Lamas de Mouro (0.5°C) e Penhas Douradas (78.1km/h), respetivamente. 38.2°C foi o valor da temperatura máxima registada em Pinhão no dia 28 e Vinhais testemunhou no dia 14 a maior quantidade de precipitação em 24h (28.1mm).

O IPMA dá conta de um evento meteorológico extremo detetado pela estação de Beja e conhecido por heatburst. Foi na madrugada de 21 de maio, noite em que algumas estações do interior Centro registaram valores máximos de temperatura entre os 27°C e os 32°C. Em Beja, também se registou um aumento acentuado da temperatura e entre as 4h30 e as 5h da madrugada ocorreu uma subida repentina da temperatura de 22.9°C para 33,4°C e uma queda da humidade de 49% para 13% com rajadas de vento a atingirem os 53 km/h. Este fenómeno provocou a queda de dezenas de árvores de grande porte.