Madeira: imprensa de Jardim não fala das candidaturas do Bloco

04 de agosto 2013 - 18:36

Dois dias depois de Alberto João Jardim ter rasgado um exemplar do DN/Madeira, o Bloco de Esquerda apresentou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições por ser o único partido nestas eleições autárquicas que não aparece nas notícias do Jornal da Madeira e na Rádio Jornal da Madeira, ambos propriedade do Governo Regional e pagos pelos contribuintes.

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Jardim rasgou exemplar do Diário de Notícias da Madeira. Terá visto alguma notícia sobre as candidaturas bloquistas na Região? Foto DN/Madeira

Na queixa entregue à Comissão Nacional de Eleições, o coordenador bloquista da Madeira diz que desde a marcação das eleições autárquicas de 29 de setembro pelo Presidente da República, os órgãos de comunicação social que fazem parte da Empresa Jornal da Madeira – o Jornal da Madeira e a Rádio Jornal da Madeira, detidos pelo Governo Regional – bem como a plataforma digital Diário Cidade “não têm dado qualquer cobertura às candidaturas desta força política”.

O silenciamento das candidaturas do Bloco de Esquerda às Câmaras, Assembleias e Juntas de Freguesia da Madeira na imprensa detida pelo regime de Jardim contrasta com o tratamento dado às restantes. “Ao invés, todas as outras candidaturas, das restantes forças partidárias, têm tido cobertura” nestes órgãos, lembrou Roberto Almada à Lusa, concluindo que “esta atitude configura uma discriminação inaceitável e uma claríssima violação da Lei Eleitoral para as Autarquias Locais”.

A queixa do Bloco traz de novo ao debate a questão da liberdade de imprensa na Madeira, dois dias depois do presidente do Governo Regional ter ostensivamente rasgado um exemplar do Diário de Notícias da Madeira, à vista de todos os presentes, quando visitava as instalações do Rali Vinho da Madeira. São bem conhecidas as tentativas de Alberto João Jardim e do PSD/Madeira para intimidar os jornalistas daquele órgão de comunicação social. Na própria noite eleitoral das últimas regionais, um autocarro com militantes liderados pelo chefe da JSD/Madeira dirigiu-se à sede do jornal, disparando três "very lights" para a entrada do edifício.