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Macerata foi capital do antifascismo italiano

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Macerata, no centro de Itália, em protesto contra o racismo e o fascismo. A iniciativa foi convocada após um militante de extrema-direita ter disparado sobre imigrantes no início do mês.
Foto Globalproject.info

O protesto foi convocado por diversas personalidades, associações, centros sociais e partidos políticos de esquerda, como o Potere al Popolo e Liberi e Uguale. Registaram-se ainda concentrações de menor dimensão noutras cidades de norte a sul do país, tendo-se verificado alguns confrontos entre militantes de extrema-direita e antifascistas.

A organização fala de 30 mil participantes (a polícia de 10 mil), que se deslocaram de toda a Itália para prestar solidariedade com as vítimas e dar um claro sinal de repúdio aos atos racistas e à tolerância com que o discurso anti imigrantes é aceite e se está a tornar recorrente entre as forças de centro direita na campanha eleitoral em curso.

Apesar da posição de distanciamento face ao protesto das direcções da CGIL, maior central sindical, da ANPI, associação dos resistentes italianos, e da ARCI, um dos maiores movimentos sociais do país, assistiu-se a uma revolta das bases destes movimentos, multiplicando-se as críticas e os apelos de participação. Estas organizações marcaram uma “manifestação oficial” para 24 de Fevereiro em Roma.

Também o Partido Democrático, de centro esquerda, não respondeu à chamada, tendo sido duramente criticado por tal escolha. Ainda assim, foram vários os militantes e representantes deste partido que se juntaram ao protesto.

Entre os manifestantes foi possível encontrar Laura Boldrini, presidente do Parlamento e ex-Porta voz do Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados do Sul, o cartoonista Vauro, a eurodeputada do PD Cecile Kyenge, Gino Strada da ONG médica Emergency, a antiga partigiana Lidia Menapace, que aos 93 anos afirmou estar na luta contra o fascismo enquanto tiver voz, o maestro Diego Bianchi, Viola Carafolo, porta voz do Potere al Popolo ou Pietro Grasso, Presidente do Senado e líder da coligação Liberi e Ugualle.

O caso que deu origem ao protesto remonta a 3 de Fevereiro, quando Luca Traini, com ligações conhecidas às organizações fascistas Lega Nord, Forza Nova e Casa Pound , utilizou a sua arma pessoal, legalmente adquirida, com intenção de vingar a morte de Pamela Matropietro, uma jovem toxicodependente alegadamente assassinada por um ‘dealer’ nigeriano. Quando foi detido, depois de atingir seis pessoas negras a tiro, Traini estava enrolado numa bandeira da Itália de Mussolini e fazia a saudação romana.

Em declarações à imprensa, a mãe da vítima declarou total desacordo com a atitude de Traini e com a escalada do racismo e da violência: “condenamos firmemente o ataque de ontem, não somos racistas e Pamela, se  ainda estivesse viva, teria ficado horrorizada com esse acto de ódio".

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