“A luta pelos direitos humanos, pela igualdade e pela democracia não se esconde”

08 de julho 2023 - 20:27

Mariana Mortágua participou este sábado na Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto. Enfrentando a decisão autoritária do autarca Rui Moreira, que "quis boicotar" este dia de luta e celebração, milhares de pessoas marcharam pelas ruas do Porto.

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Foto de Pedro Faria.

"Houve um apelo desta Marcha de Orgulho LGBT contra uma decisão autoritária do presidente Rui Moreira, que quis boicotar este dia, que é um dia de luta pelos direitos humanos, um dia de luta pela igualdade, pela democracia, pela liberdade", afirmou Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas.

A coordenadora do Bloco lembrou que "Rui Moreira não quis que as celebrações da marcha, que este dia de luta, se fizesse no centro da cidade". Mariana acusou o autarca de preferir "o modelo antigo, em que as pessoas têm que se esconder, têm de sair do centro da cidade, não se podem mostrar como elas são, no sítio onde toda a gente as vê".


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"Nós estamos aqui para dizer ao presidente da Câmara do Porto, juntamente com estes milhares de pessoas, que com ou sem a sua licença a marcha LGBT do Porto irá celebrar-se, irá fazer o seu dia de luta no centro do Porto", frisou.

Mariana foi perentória: “A luta pelos direitos humanos, pela igualdade, pela democracia e pela liberdade não se esconde”.

Milhares de pessoas responderam ao apelo da Organização da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto e marcharam pelas ruas da cidade nortenha. “Gisberta Sempre!”; “O amor não tem cura”, “A luta e a liberdade são de todas as cores”, “Vai para o Covelo! Vai tu!”, “Ó Moreira, não basta hastear uma bandeira”, e “Moreira não aceitamos invisibilidade, esta também é a nossa cidade” foram algumas das frases ostentadas em faixas e cartazes.

“Demissão do ex-secretário de Estado da Defesa era o mínimo que podia ser feito"

Questionada pelos jornalistas sobre a demissão de Marco Capitão Ferreira, Mariana afirmou que “era apenas expectável que o secretário de Estado se demitisse, era o mínimo que podia ser feito".

A coordenadora do Bloco destacou que há dois aspetos “muito importantes” relacionados com a sua saída do Governo.

"Primeira questão: o senhor primeiro-ministro [António Costa] prometeu ao país que iria inventar, criar mecanismos para impedir que fôssemos confrontados com novos casos destes no Governo, e hoje compreendemos que nada foi feito", apontou.

Mariana expressou ainda a sua preocupação com "a ideia que parece vir a crescer" de não estarem em causa "casos isolados, de uma assessoria 'fantasma', de uma consultoria 'fantasma'", mas sim poder-se "estar perante fenómenos reiterados de abuso de dinheiros públicos".

"Essa preocupação adensa-se e requer uma fiscalização mais apertada, e requer certamente uma capacidade para compreender se estamos perante um caso isolado ou se estamos perante o abuso disseminado no Ministério da Defesa nas contratações, nas consultorias, nas assessorias", vincou

Mariana Mortágua criticou ainda António Costa por dizer que "não queria comentar casos porque estava preocupado e focado em resolver os problemas das pessoas".

"O que temos a responder é que não vimos nada", sublinhou a coordenadora bloquista.