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Luta Livre: Luís Varatojo reinventa a música de intervenção

“As classes dominantes têm horror aos coletivos” é o refrão de uma das músicas do projeto Luta Livre. Luís Varatojo diz claramente ao que vem. Músicas que vincam posições e que se podem ouvir aqui.
Imagem de um dos vídeos do projeto Luta Livre.
Imagem de um dos vídeos do projeto Luta Livre.

Tornou-se conhecido nos Peste & Sida e depois com A Naifa. Ao longo dos últimos meses, Luís Varatojo tem alimentado um novo projeto, a Luta Livre, com o qual já lançou três músicas.

O músico explica, à agência Lusa, como tudo começou: “de há um ano para cá, comecei a escrever alguns textos sobre notícias que ia lendo no jornal, fui acumulando esses textos e ao mesmo tempo comecei ia fazer uns instrumentais com base em 'samples' que fui fazendo em discos de jazz. Juntei uma coisa à outra para ver o que dava”.

O que deu, para já, são três vídeos tornados públicos no Youtube. Em ritmos que misturam clássicos do jazz, trechos originais com a participação de músicos como Edgar Caramelo, Ricardo Toscano e o Coro Gospel Collective e a palavra do próprio Varatojo, “Política”, “Ninguém quer saber” e “Iniquidade” surgem visualmente acompanhados de animações.

Sobre a Luta Livre, o músico explica ainda que “o plano não era fazer um disco, mas pode chegar a ser, sou capaz de as reunir”. Garante que “não é pelo mercado, porque não se vendem discos (…) É uma forma de o trabalho ficar fixado fisicamente e não se perder nos confins da Internet para todo o sempre”.

E aproveita para falar do impacto da crise no seu setor: “não temos um estatuto, não existimos para a sociedade, e agora com a pandemia isto vem ao de cima. Todas estas pessoas que andavam a pagar a renda com os concertos e o trabalho que faziam, não podem pagar a renda e ir ao supermercado e o Governo não deu uma resposta eficiente”.

Nos temas lançados, a política as fake news e a desigualdade social são os temas. Em “Política”, o o refrão é “Associações, sindicatos e partidos. As classes dominantes têm horror aos coletivos”, contando-se uma experiência de politização.

“Ninguém quer saber” é uma colagem de notícias falsas, um “monstro” que “está a crescer” enquanto “ninguém quer saber” porque “está fácil de ver”.

E “Iniquidade” é mesmo o que o título indica, uma denúncia da desigualdade social porque “Algo está mal quando os 40 mais ricos têm mais que os 2 biliões mais pobres, batemos no fundo e batemos recordes. Um novo multimilionário dia sim, dia não”.

 

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