A economia portuguesa esteve em recessão por causa da pandemia, mas os bancos a atuar no país não demoraram muito para regressar aos lucros. Segundo os resultados agora divulgados das contas no final do terceiro trimestre, compilados pelo Diário de Notícias, os seis principais bancos em Portugal somaram lucros que ultrapassam a fasquia dos mil milhões de euros.
O maior responsável por este desempenho é o banco público, que viu aumentar os lucros em 9.4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de janeiro a setembro do ano passado. A Caixa Geral de Depósitos apresentou lucros de 429 milhões de euros, o que representa quase tanto como a soma dos lucros dos restantes cinco bancos.
Segue-se o BPI, que viu os lucros aumentarem para 246 milhões até setembro, enquanto o Santander ocupa a terceira posição com lucros de 172,2 milhões, embora em queda face ao mesmo período de 2020. O Novo Banco passou de prejuízos a lucros de 154 milhões e o BCP viu os lucros baixarem para 59.5 milhões. Com as contas no vermelho mantém-se o Montepio, embora tenha reduzido os prejuízos para 14 milhões de euros.
Na evolução dos resultados da banca destaca-se a subida de 10% nas receitas com comissões bancárias, que nos primeiros nove meses do ano permitiram aos seis bancos ganhar 165 milhões de euros.
Estes resultados ocorrem num período marcado pelos despedimentos de trabalhadores da banca e encerramento de agências. Entre setembro de 2020 e setembro de 2021 fecharam 255 agências bancárias, com o Santander a contribuir com 100 encerramentos, seguindo-se o Montepio e o BCP.
No mesmo período, os seis bancos perderam 2.440 trabalhadores, metade dos quais pertenciam aos quadros do Santander e BCP, cujos processos de restruturação resultaram em despedimento coletivo.