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Lançado Manifesto da greve feminista internacional de 8 de Março

No Manifesto, disponível para subscrição, a Rede 8 de Março apela à mobilização das mulheres em defesa dos seus direitos e contra a desigualdade, a violência machista e o conservadorismo. Porque as violências que sofremos são múltiplas, a Greve convocada também o é.

“Herdeiras das lutas feministas e das resistências operárias, anticoloniais e antirracistas”, as subscritoras do Manifesto reclamam o “património das lutas pelo direito ao voto, ao trabalho com salário, a uma sexualidade livre e responsável, à maternidade como escolha, à habitação, à educação e saúde públicas”.

Assumindo-se como “múltiplas e diversas, de todas as cores e lugares, de todas as formas e feitios, com diferentes orientações sexuais e identidades de género, profissões e ocupações”, as mulheres em todo o mundo levantam-se a 8 de Março “em defesa dos seus direitos e mobilizam-se contra a violência, a desigualdade e os preconceitos”.

E “porque as violências que sofremos são múltiplas”, a Greve convocada pela Rede 8 de Março também o é: “No dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços e greve estudantil”, lê-se no Manifesto.

As ativistas feministas dizem basta à desigualdade no trabalho assalariado e exigem “salário igual para trabalho igual ou equivalente e a reposição da contratação coletiva como forma de proteger o trabalho e combater as desigualdades”.

A igualdade no trabalho doméstico e dos cuidados é outra das reivindicações, sendo reclamado o “reconhecimento do valor social do trabalho doméstico e dos cuidados e a partilha da responsabilidade na sua prestação”.


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No Manifesto é também assinalada a necessidade de combater as desigualdades e o preconceito nas escolas, garantindo uma “escola da diversidade, crítica, sem lugar para preconceitos e invisibilizações, uma escola livre de agressões machistas e lesbitransfóbicas, dentro e fora das salas de aula, uma escola empenhada na educação sexual inclusiva como resposta ao conservadorismo”.

Porque exigem ser protagonistas das suas vidas e donas dos seus corpos, as ativistas recusam o negócio em torno da sua sexualidade e saúde reprodutiva e reclamam a gratuitidade dos produtos de higiene.

No documento, recusam “as políticas neoliberais, porque elas são predatórias, destroem a biodiversidade, provocam alterações climáticas e originam milhões de migrantes ambientais, o que dificulta de forma muito particular a vida e a sobrevivência de mulheres”, e solidarizam-se “com as mulheres indígenas que resistem à globalização e estão comprometidas com as lutas contra as alterações climáticas, contra a dependência de energias fósseis e em defesa da soberania alimentar”.
As feministas dizem ainda não à guerra e à perseguição às pessoas migrantes. “Levantamo-nos pelo fim das guerras, pelo acolhimento das pessoas migrantes e em defesa da alteração da lei da nacionalidade. No mundo ninguém é ilegal! Quem nasce em Portugal é português/portuguesa!”, escrevem.

A Rede 8 de Março convoca todas para a Greve Feminista: “Todas temos mil e uma razões para protestar, parar, reivindicar. Fazemos Greve porque não nos resignamos perante a desigualdade, a violência machista e o conservadorismo. Fazemos Greve para mostrarmos que as mulheres são a base de sustentação das sociedades”, avança, apelando à participação nas marchas feministas de 8 de março.

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