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Lado solar dos dias: Marionetas do Porto disponibiliza visita virtual e 14 peças até junho

De 27 de março e 28 de junho, o Teatro de Marionetas do Porto exibirá 14 peças online e uma visita guiada virtual, que está disponível a quem quiser ir passear dentro de casa.
Peça "Frágil". Foto de José Coelho, Agência Lusa
Peça "Frágil". Foto de José Coelho, Agência Lusa

De 27 de março e 28 de junho, o Teatro de Marionetas do Porto terá um calendário de exibição virtual de catorze peças emblemáticas da companhia, algumas estreadas há décadas e já fora do repertório vivo.

Começando já esta semana, com Nada ou o Silêncio de Beckett em exibição de 27 a 29 de março, a temporada terá momentos só para adultos mas também para os mais pequenos, com clássicos como Cinderela e Polegarzinho. 

A Companhia Teatro de Marionetas do Porto foi criada em 1988, mas o espaço físico do Teatro de Belmonte apenas inaugurou em 1992. A primeira estreia no local foi de Miséria, exibida agora virtualmente entre 22 e 26 de abril. Isabel Barros, diretora artística do TMP, descreve-a como “a obra prima de João Paulo Seara Cardoso e uma obra prima do teatro”. Valerá a pena ver esta e outras peças, cujos links poderão ser encontrados todas as semanas, acompanhando o site e as páginas de facebook e instagram

Mas as surpresas não acabam aqui: 21 de Março foi também Dia Mundial da Marioneta e, para celebrar, o Museu de Marionetas do Porto ofereceu uma visita guiada virtual, que está disponível a quem quiser ir passear dentro de casa. É possível percorrer as várias salas, parar para ver um vídeo ou ainda ver as marionetas originais da série Os Amigos do Gaspar de Jorge Constante Pereira e João Paulo Seara Cardoso. Os adultos lembrar-se-ão da bigodaça do Guarda Serôdio (na voz de Mário Moutinho) e das palavras impercetíveis do amigo Manjerico. Será agora uma boa altura para os miúdos conhecerem este grupo de amigos, começando por visitar os personagens no museu e aprendendo a música de Sérgio Godinho que abria os episódios. É de 1988 e adequada aos tempos de solidariedade que vivemos:

É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer!

Em conversa com o Esquerda, e não deixando de desabafar sobre o momento complicado para todos, incluindo para os artistas que têm agora os seus espetáculos suspensos, Mário Moutinho afirma que “mais do que generosidade, esta disponibilização de materiais é um acto de cidadania”, acrescentando “não somos os únicos a fazê-lo, os artistas têm sido solidários”. 

Já Isabel Barros procura na arte algum otimismo: “Esta iniciativa é um dos lados visíveis do trabalho que toda a equipa está a fazer a partir de casa e é uma das novas formas de continuarmos ligados ao exterior, a toda a comunidade, cumprindo a nossa função de serviço público. Com a esperança de, quando voltarmos, estarmos todos mais ligados e mais fortalecidos. A arte pode sempre oferecer algum ânimo, estamos à procura desse lado solar dos dias.” 

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