Jovem saharaui em greve de fome por libertação de presos políticos

05 de junho 2012 - 15:40

Lafkir Kaziza está desde sexta feira em frente à Embaixada de Marrocos em Madrid onde encetou uma greve de fome para exigir a libertação dos 22 prisioneiros saharauis presos na prisão de Salé, perto de Rabat. Já foi criado um blogue e uma página de facebook com um manifesto de apoio a Lafkir Kaziza.

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Foto retirada da página de facebook de apoio a Lafkir Kaziza.

O ativista saharaui diz estar "disposto a morrer” pelo seu povo e exige a libertação imediata dos 22 compatriotas presos desde o desmantelamento do acampamento de Gdeim Izik,em novembro de 2010, que continuam sem ter sido sujeitos a qualquer julgamento. Lafkir Kaziza também exige a repetição do julgamento sob supervisão internacional dos restantes presos políticos.

Kaziza deslocou-se ao Estado Espanhol para apresentar o seu caso e explicar a situação nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, tendo planeado uma estadia de 10 dias, contudo, um dia após a sua chegada, a sua mãe foi presa e Kaziza foi avisado de que se voltasse a Marrocos iria também ser encarcerado ou correria o risco de desaparecer.

Há dois anos, Lafkir Kaziza foi preso e torturado na sequência do desmantelamento de Gdeim Izik. Neste acampamento, montado nas imediações da cidade ocupada de Laâyoune, no território do Sahara Ocidental, concentravam-se cerca de 20 000 saharauis que reivindicavam a melhoria das suas condições de vida e a convocação de um referendo sobre o estatuto jurídico do território e a questão da soberania.

Manifesto de apoio a Lafkir Kaziza

Já foi criado um blogue e uma página de facebook onde está disponível um manifesto de apoio a Lafkir Kaziza". Neste documento, é exigida a libertação imediata de todos os 22 prisioneiros políticos saharauis que estão na prisão de Salé e a repetição dos julgamentos, sob supervisão internacional, de todos os restantes presos políticos.

São igualmente reivindicadas visitas imediatas aos presos, sem qualquer vigilância, e o acesso aos mesmos por parte de médicos e instâncias sanitárias.

Os apoiantes da causa saharaui reclamam também a abertura imediata dos territórios saharauis aos observadores de direitos humanos e o fim da ocupação do Sahara Ocidental.