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Governo espanhol sabia do ataque marroquino a acampamento saharaui

O jornal El País divulgou esta quarta-feira que o ministro dos Assuntos Exteriores de Marrocos informou a sua homóloga espanhola sobre o ataque ao Acampamento da Liberdade. Ministro da presidência espanhol veio desmentir esta informação.
O ataque da passada segunda-feira resultou na morte de, pelo menos, 11 pessoas, 723 feridos e 159 desaparecidos. Autoridades marroquinas anunciam detenção esta quarta-feira de 163 pessoas. Foto de movimento SaharaThawra.

Taieb Fassi-Fihri, ministro dos Assuntos Exteriores de Marrocos, numa visita a Madrid, terá anunciado à sua homóloga espanhola, Trinidad Jiménez, a intenção de Marrocos desmantelar o acampamento saharaui, onde se encontravam cerca de 25 mil pessoas, entre as quais crianças e idosos.

Questionado por um deputado do Partido Nacional Basco, o ministro da presidência espanhol veio desmentir a notícia emitida pelo El País.

Entretanto, as autoridades marroquinas anunciaram esta quarta-feira a detenção de 163 pessoas na sequência do desmantelamento do Acampamento da Liberdade, existente às portas da capital do Sahara Ocidental, El Aiún.

Este acampamento havia sido alvo, na passada segunda-feira, de um ataque por parte das autoridades marroquinas, do qual resultou a morte de, pelo menos, 19 pessoas, 723 feridos e 159 desaparecidos, segundo dados facultados pelo responsável da Frente Polisário para os Assuntos Externos, Mohamed Uld Salek. Referindo-se ao massacre perpetuado contra o povo saharaui, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Nesirky, afirmava esta segunda-feira que "Segundo todos os relatos, e para nossa profunda consternação, há um número indeterminado de mortos e feridos".

Mohamed Uld Salek afirmou ainda que se vive uma "situação de terror" em El Aiún. Em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, o responsável pelos Assuntos Externos  afirmou que nos bairros com maior presença saaraui da cidade "estão a aparecer corpos degolados e cadáveres com impactos de bala, incluindo de crianças", os quais são "muito difíceis de identificar".  

Segundo declarações de uma espanhola que se encontra na capital do Sahara, os confrontos espalharam-se terça-feira para as ruas da cidade, patrulhada por grupos de civis pró-marroquinos que destruíram vários estabelecimentos de saharauís ainda durante a noite. A polícia marroquina, segundo relata outra espanhola membro grupo Sahara Thawra, também invadiu várias casas durante a noite.

Mustapha Naimi, membro do Corcas, um órgão representativo dos saharauis nomeado pelo rei Mohamed VI, explicou à Agência France Presse que o procedimento das autoridades marroquinas: "(...) reflecte a vontade de Marrocos de desafiar todos  no mundo, de impor a sua posição e dizer à Argélia e a Frente Polisário não está impressionado. "

Desde o fim-de-semana passado, as autoridades marroquinas expulsaram o deputado comunista francês Jean-Paul Lecoq, que pretendia deslocar-se até El Aaiún, acto que foi condenado pelo Ministro dos Assuntos Exteriores de França, país que mantém relações estreitas com Marrocos. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) já condenou também o ataque marroquino e pediu à França e à UE que denunciem as agressões.

Foram também expulsos três parlamentares autónomos e um eurodeputado espanhol, acto que não mereceu a reacção de Trinidad Jiménez.

Os jornalistas de várias nacionalidades que tentam acompanhar os acontecimentos também têm sido impedidos de viajarem para El Aaiun, sendo que Marrocos utiliza todos os meios ao seu dispor para boicotar o cabal esclarecimento da opinião pública internacional.

Embaixadora de Marrocos acusa Aminetu Haidar de “provocação”

Aminetu Haidar, actualmente em Portugal, e que estará presente esta quarta-feira numa sessão pública no salão nobre da universidade de Lisboa, pelas 18h30m, já lançou vários apelos ao Governo português, “que é agora membro do Conselho de Segurança da ONU, para salvar a vida de milhares de saharauis”, antes que “haja um massacre contra a população civil”.

A embaixadora de Marrocos em Lisboa, Karima Benyaich, veio acusar a activista sarauí de responder a uma agenda da Argélia, considerando que a sua presença em Portugal, "em coincidência" com a cimeira luso-argelina, é "uma provocação".

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