LGBTI+

Arraial Lisboa Pride não será em junho, Bloco quer explicações de Moedas

21 de maio 2026 - 12:51

A ILGA Portugal anunciou que as condições propostas pela Câmara não permitem a realização do evento no mês das festas da cidade, como acontece todos os anos. Bloco quer que a Câmara mostre quais foram essas condições.

PARTILHAR
Arraial Lisboa Pride em 2022
Arraial Lisboa Pride em 2022. Foto Eduardo Filho/Arraial Lisboa Pride

Em comunicado, a ILGA Portugal anunciou que o Arraial Lisboa Pride não se realizará em junho, como acontece todos os anos. A associação diz que após os contactos mantidos com a Câmara Municipal nos últimos meses sobre as condições necessárias à realização de um evento - local, calendário, logística e apoios disponíveis - “não foram apresentadas as condições necessárias para confirmar a realização do ALP em 2026, nos moldes habituais”. O local onde se tem realizado o evento, o Terreiro do Paço, vai estar ocupado durante as semanas do Mundial de Futebol por um espaço para os adeptos se concentrarem e assistirem aos jogos.

A ILGA Portugal diz estar empenhada em prosseguir o diálogo com a autarquia para avaliar “alternativas que permitam garantir um evento com as condições mínimas de segurança, acessibilidade, sustentabilidade e qualidade que toda a comunidade merece”. E apela à participação na Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa no dia 6 de junho.

A vereadora bloquista Carolina Serrão reagiu ao anúncio com um pedido de explicações ao presidente da autarquia, considerando que “a não realização do Arraial Lisboa Pride em junho representa uma rutura com um padrão consolidado, com impacto direto na visibilidade das comunidades LGBTI+, na programação cultural da cidade e na afirmação de Lisboa como espaço urbano de inclusão, diversidade e direitos humanos”.

Ao silêncio de Carlos Moedas sobre as razões para a não realização do Arraial Lisboa Pride no próximo mês junta-se a decisão de não hastear a bandeira LGBTI+ no Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, com base numa lei que ainda não está em vigor e pela primeira vez desde 2016, quando foi a primeira autarquia do país a fazê-lo.

“Este conjunto de decisões transmite sinais contraditórios quanto ao compromisso institucional do Executivo municipal com a promoção da igualdade, da inclusão e da visibilidade das comunidades LGBTI+ no espaço público da cidade”, afirma a vereadora do Bloco, questionando Carlos Moedas sobre quais foram as propostas apresentadas à ILGA Portugal sobre o formato e o apoio à iniciativa e que diligências tomará para que o Arraial Lisboa Pride ainda se possa realizar no âmbito do Mês do Orgulho e das Festas da Cidade.