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Jornalistas condenados na Bielorrússia, Ovsyannikova multada na Rússia

Há 32 jornalistas presos na Bielorrússia. Na Rússia, depois de ter mostrado em direto na televisão um cartaz contra a guerra, a editora do Channel One foi multada e pode ainda enfrentar pena de prisão até 15 anos. Sindicato dos Jornalistas português e Federação Europeia estão solidários.
Marina Ovsyannikova mostra um cartaz anti-guerra em direto na televisão russa.
Marina Ovsyannikova mostra um cartaz anti-guerra em direto na televisão russa.

Estima-se que haja atualmente 32 jornalistas bielorrussos presos. Dois deles, Yahor Martsinovich, diretor do Nasha Niva, o jornal mais antigo do país, e o jornalista do mesmo meio de comunicação social, Andrey Skurko, conheceram esta terça-feira a sua sentença: foram condenados a dois anos e meio de prisão.

Ambos tinham recusado pagamento de multas que consideraram como politicamente motivadas e estavam detidos desde julho passado, altura em que o jornal tinha sido impedido de sair. Em novembro passado foi banido e quem quer que publicasse ou republicasse material seu passou a enfrentar penas de prisão até sete anos.

O Nasha Niva continua contudo a ser editado a partir do exterior, uma vez que a maioria dos seus jornalistas fugiram do país.

Ovsyannikova pode vir a enfrentar pena de prisão

Na Rússia, a liberdade de imprensa também está em causa depois do Parlamento ter aprovado no passado dia 4 uma lei que pune com pena de prisão a divulgação de “informação falsa” sobre a invasão da Ucrânia. Desde o início do conflito militar, vários órgãos independentes de comunicação social, como a Rádio Eco de Moscovo e a TV Rain, suspenderam emissões e alguns canais internacionais deixaram de emitir no país devido a esta legislação.

Vários jornalistas têm resistido, tendo a ação mais espetacular sido feita esta segunda-feira pela editora do canal estatal Channel One, Marina Ovsyannikova, que irrompeu pela emissão do canal com um cartaz contra a guerra e lançando palavras de ordem contra a invasão da Ucrânia.

Interrogada durante 14 horas sem direito a assistência legal, como denunciou, a jornalista foi já multada esta terça-feira devido a um vídeo que tinha preparado antes desta ação no qual incitava à participação nos protestos contra a guerra, declarava que “a Rússia é o país agressor e uma pessoa, Vladimir Putin, tem toda a responsabilidade desta agressão” e confessava-se “envergonhada por ter permitido que mentiras fossem transmitidas nos ecrãs de televisão” e por “ter permitido que outros zombificassem o povo russo”. Mas pelo protesto em direto pode enfrentar ainda uma pena de prisão até 15 anos segundo a nova lei.

Segundo o grupo de monitorização independente OVD-Info, foram presas mais de 14.000 pessoas durante protestos contra a guerra um pouco por toda a Rússia.

Em Portugal, o Sindicato dos Jornalista solidarizou-se com Ovsyannikova, subscrevendo a posição da Federação Europeia de Jornalistas. Considera-se que esta “agiu contra a censura imposta pelo Kremlin”.

A Amnistia Internacional diz que mais de 150 jornalistas abandonaram a Rússia desde que as leis foram aprovadas. Ainda antes destas, o Roskomnadzor, o regulador dos meios de comunicação social russos, tinha proibido o uso das palavras “invasão”, “ataque” ou “guerra” para descrever o que se passava na Ucrânia.

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