As Jornadas pela Democracia Energética têm encontro marcado no Liceu Camões a 11 e 12 de maio. "Durante dois dias tornaremos o Liceu Camões num espaço livre e aberto, onde diferentes pessoas, coletivos, associações, cooperativas, movimentos e lutas sociais e ambientais se podem encontrar, conhecer e onde vamos debater sobre o futuro e a transição energética que queremos", diz a convocatória do evento.
Na agenda dos encontros, além dos debates sobre o que é a Democracia Energética, vai falar-se da gestão pública e comunitária do sistema energético e o papel dos municípios na transição. Criar redes para a democracia energética, conhecer Comunidades de Energia Renovável, debater ações para erradicar a pobreza energética e desenhar modelos de mobilidade democrática serão outros dos temas deste encontro. A reflexão sobre o decrescimento e suficiência energética e as lutas contra os grandes projetos extrativistas previstos para o nosso país não passam ao lado das jornadas de 11 e 12 de maio.
No manifesto que dá o mote à iniciativa, os subscritores apontam que a forma como a energia é produzida, transportada, distribuída e consumida está direta ou indiretamente ligada às crises que vivemos do ponto de vista climático, económico e social. Aos lucros "exorbitantes" das empresas de energia enquanto a população sofre com o aumento do custo de vida, junta-se a sua captura das vantagens económicas das comunidades de energia e autoconsumo coletivo, concebidas no início para "assegurar a participação ativa e democrática de cidadãos, dos poderes locais e de pequenas e médias empresas nos setores energéticos".
A par do abandono do atual modelo de produção e consumo de energia, os subscritores querem uma alternativa "que garanta um novo modelo enraizado na democracia energética, na prioridade à eficiência energética, na suficiência, na circularidade de recursos, bem como no respeito pelo património ecológico e pela biodiversidade, para não onerar as futuras gerações". Ou seja, "um modelo 100% baseado em energias renováveis, que compatibilize e otimize produção centralizada e descentralizada, e no qual a eletricidade seja gerada e armazenada, sempre que possível, próxima dos locais de consumo".
Entre as associações subscritoras estão as cooperativas Coopérnico e Mula, o CIDAC, a Geota, Campo Aberto, Gaia, Climáximo, o movimento Juntos pelo Cercal e as associações Famalicão em Transição e Fábrica de Alternativas. Subscrevem em nome individual, vários investigadores e ativistas, além da vereadora independente eleita pela Coligação "Evoluir Oeiras", Carla Castelo.