Na passada quinta-feira, foi anunciada, em Paris, a seleção de filmes da secção Un Certain Regard. A programação da competição conta com 17 filmes, entre os quais a obra dos cineastas João Salaviza e Renée Nader Messora.
Cinco anos após o filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ter sido distinguido com o prémio especial do júri no Festival de Cannes, João Salaviza e Renée Nader Messora apresentam A Flor do Buriti, que, conforme é destacado no Ípsilon, do jornal Público, prolonga a relação dos cineastas com os Krahô.
"A Flor do Buriti atravessa os últimos 80 anos dos Krahô, dando a conhecer ao espectador um massacre ocorrido em 1940, onde morreram mais de dezenas indígenas. Perpetrado por dois fazendeiros da região, as violências praticadas naquele momento continuam a ecoar na memória das novas gerações", lê-se na sinopse.
Em comunicado de imprensa, os cineastas lembram que, "em 1969, durante a Ditadura Militar, o Estado Brasileiro incita muitos dos sobreviventes a integrarem uma unidade militar. Hoje, diante de velhas e novas ameaças, os Krahô continuam a caminhar sobre a sua 'terra sangrada', reinventando diariamente as infinitas formas de resistência".
Os "cineastas e aliados", como se identificam, rodaram o filme, em 16mm, durante quinze meses na terra indígena Kraholândia, onde já tinham feito Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos.
Aquando da seleção para o Festival desta última produção, em 2018, Salaviza afirmou, em declarações à agência Lusa, tratar-se de “um filme feito por duas pessoas no meio do mato, sem qualquer coprodução francesa, com 80 mil euros de apoio do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual]”, e que o facto de o mesmo “estar a ombrear com outros filmes da competição” era “fantástico".