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Salaviza e Renée Nader Messora recebem distinção em Cannes

Rodado no Brasil, Chuva é cantoria na aldeia dos mortos valeu a João Salaviza e Renée Nader Messora o prémio especial do júri em Cannes. O realizador português já fora distinguido no passado com a curta Arena.
Cena do filme "Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos"

O filme Chuva é cantoria na aldeia dos mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messora, foi hoje distinguido com o prémio especial do júri da secção Un Certain Regard no Festival de Cannes.

Na passada semana a equipa do filme organizou um protesto na passadeira vermelha, onde exibiram cartazes que exigiam o “fim do genocídio indígena” no Brasil e a “demarcação das terras dos povos autóctones”. Após a sessão de estreia do filme que os levou ao festival, a equipa foi aplaudida e ouviu-se gritar “Fora Temer”. Recorde-se que o filme foi rodado durante nove meses, em 16mm, sem equipa, na aldeia Pedra Branca, no estado de Tocantins, no Brasil e foca-se nos indígenas brasileiros da etnia Krahô.

"É um filme feito por duas pessoas no meio do mato, sem qualquer coprodução francesa, com 80 mil euros de apoio do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual], e estar a ombrear com outros filmes da competição é fantástico", disse o realizador à agência Lusa aquando da seleção para o Festival. 

Qualificado pelo Hollywood Reporter como “um dos menos ortodoxos títulos” a apresentar-se na secção Un Certain Regard, trata-se de uma “mistura ligeiramente dramatizada de facto, ficção e estudo de campo antropológico”.

Em 2009, João Salaviza venceu a Palma de Ouro com a curta metragem Arena. Chuva é cantoria na aldeia dos mortos foi produzido por Ricardo Alves Jr. e Thiago Macêdo Correia, da produtora Entre Filmes, sediada em Minas Gerais, em coprodução com a portuguesa Karõ Filmes e com a Material Bruto, de São Paulo.

O prémio principal da secção Un Certain Regard foi para Border, do iraniano Ali Abbasi, enquanto o melhor argumento foi para Sofia, da franco-marroquina Meryem Benm’Barek.

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