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“Jackpot” dos fundos europeus atrai partidos ao governo Draghi

Salvini diz que prefere estar “sentado à mesa” da repartição dos 200 mil milhões do que “ficar à janela a ver”. Dirigentes do PD interrogam-se como irão explicar a Merkel e Macron a entrada da Liga no governo.
Mario Draghi e Matteo Salvini
Mario Draghi e Matteo Salvini voltaram a reunir esta quarta-feira. Foto publicada na página de Facebook de Salvini.

Mario Draghi concluiu a ronda de consultas aos partidos, sindicatos e associações patronais e confirmou o que já se sabia. Quase ninguém quer ficar de fora da fotografia dos apoiantes de um governo que irá decidir o destino dos fundos de recuperação europeus destinados a Itália, num montante de cerca de 200 mil milhões de euros.

Quem não o esconde é Matteo Salvini, o líder da Liga conhecido - e acusado em tribunal - pelas suas posições xenófobas, mas também pelo discurso contra Bruxelas e o euro e pelas alianças com a extrema-direita europeia contra o rumo traçado por Merkel e Macron. “Entre estar sentado à mesa a participar na divisão dos 200 mil milhões ou ficar à janela a ver, prefiro estar dentro”, afirma agora Salvini, citado pelo Público.

“Estamos de mãos, pés, coração e cérebro na Europa, mas naturalmente quero uma Europa que defenda as empresas e a agricultura italianas”, prosseguiu Salvini no fim do encontro com Mario Draghi. A viragem completa no discurso de Salvini aplica-se também naturalmente ao interlocutor: “Com ele [Draghi], podemos estar na Europa de cabeça erguida”, garante agora o líder da Liga. E quanto à imigração? “Propomos a adoção da legislação europeia”, responde.

A súbita viragem “europeísta” de Salvini deixa os adversários confundidos. “Teremos agora de explicar a Merkel e Macron - e este é um problema do país e não apenas do Partido Democrático (PD) - que o aliado dos seus principais adversários vai estar dentro do governo”, admitiu na quarta-feira à noite o vice-secretário do PD, Andrea Orlando.

Quem também não quer ficar de fora da distribuição dos fundos de recuperação europeia é a liderança do Movimento 5 Estrelas, apesar da revolta de um setor das bases do partido quanto ao apoio a um primeiro-ministro visto como um porta-voz do capital e do patronato. O próprio fundador do partido, Beppe Grillo, reentrou na cena política para reunir com Draghi e apresentar como vitória sua a criação de um superministério da Transição Ecológica, com impacto na captação dos fundos de Bruxelas, e a promessa de Draghi de não mexer na proposta de um rendimento de cidadania.

Os membros do 5 Estrelas votam esta quinta-feira na internet se aprovam ou não o governo Draghi e outro dos seus antigos líderes, Luigi Di Maio, explicou o seu sentido de voto com palavras muito semelhantes às usadas no sábado por Salvini. “Queremos deixar estes 240 mil milhões de euros nas mãos de outros? Nós é que os conseguimos e os outros vão gastá-lo?”, questionou o antigo vice-primeiro-ministro, concluindo que “se alguém quiser ficar a apontar o dedo, pode fazê-lo, mas neste momento não estou para ficar a ver os outros a gastar os 240 mil mihões”.

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