O porta-voz do Presidente Sergio Matarella anunciou que Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), aceitou o convite para liderar um governo de emergência. Mas, segundo o Expresso, com algumas reservas, sobretudo porque Draghi quer que a formação do Governo seja viabilizada pelos partidos políticos.
Após uma hora de conversações com o Chefe de Estado italiano, Mario Draghi afirmou que “temos a oportunidade de fazer grandes coisas” e avançou que o seu objetivo é “vencer a pandemia e relançar o país”.
A maioria de centro-esquerda que apoiava o primeiro-ministro demissionário Giuseppe Conte desfez-se e Matarella aposta agora por um executivo tecnocrático, face à impossibilidade de juntar de novo o Italia Viva de Renzi, o Partido Democrático, o Movimento 5 Estrelas e o Livres e Iguais. Matarella afirmou só ter duas vias para o impasse: dar posse a um “novo governo adequado a enfrentar a emergência sanitária, social, económica e financeira” que Itália atravessa ou antecipar as eleições legislativas, que seriam em 2023.
O Presidente da República reconhece que as “eleições representam um exercício de democracia”, mas considera pouco oportuno chamar, neste momento, os eleitores às urnas.
À direita, a Liga de Salvini, a direita nacionalista dos Irmãos de Itália e o Força Itália de Berlusconi pediram ao Presidente a antecipação das eleições legislativas e deverão chumbar o governo Draghi no Parlamento.
A incógnita está agora no Movimento 5 Estrelas, cujos ministros e dirigentes têm posições opostas sobre o caminho a seguir. Segundo o La Repubblica, de um lado estão os que, como o deputado Alessandro Di Battista, dizem que a nomeação de Draghi é "uma manobra para enfraquecer o Movimento e moldar o Plano de Recuperação à medida da Confindustria" [a associação patronal]. Do outro estão figuras de peso como o atual líder Vito Crimi, que aposta nas negociações com os parceiros do governo demissionário para tentar convencer o seu partido de que um governo liderado por Draghi pode ser um "governo político" e não "tecnocrático". O jornal diz ainda que o fundador do partido Beppe Grillo partilha da posição de que o 5 Estrelas deve manter o bloco político formado em torno da segunda fase do governo Conte, após a saída da Liga liderada por Matteo Salvini. A palavra final deverá caber aos aderentes, através de uma consulta online.
Ao lado do ex-presidente do BCE, que liderou este organismo ao longo da crise do euro, estão o Partido Democrático e o Italia Viva do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que provocou esta crise política ao sair do governo alegando divergências sobre a aplicação dos fundos europeus de recuperação.