Despedimentos

Italianos compraram Coindu. Um mês depois fecham fábrica e despedem 350

27 de novembro 2024 - 18:14

O discurso das sinergias, da consolidação e do aumento da competitividade deu rapidamente lugar ao encerramento da fábrica de Arco de Valdevez.

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Imagem da Coindu
Imagem da Coindu. Foto do Facebook da empresa.

A 15 de outubro, um comunicado redigido no habitual tom empresarial dava conta que a empresa italiana Gruppo Mastrotto tinha adquirido “uma participação maioritária na Coindu – Componentes Para A Indústria Automóvel, SA”. Este grupo económico é o principal na produção de curtumes no seu país, tendo 15 unidades de produção, uma faturação de 364 milhões de euros e perto de 2.300 trabalhadores.

Falava-se em “sinergias” e escrevia-se que se tratava de “uma contribuição de capital para apoiar o relançamento do negócio”. Iria consolidar-se a estabilidade financeira e operacional e “aumentar a a capacidade da empresa de oferecer soluções de ponta a ponta para os interiores dos automóveis e, fortalecendo sua posição competitiva no mercado global”.

Pouco mais de um mês depois, chega os trabalhadores da fábrica de Arco de Valdevez a notícia que desmente cruamente esta retórica. A empresa fez saber que, no final do ano, encerra as portas desta unidade, ficando 350 trabalhadores desempregados sem avançar ainda justificações para o facto.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins, José Simões, diz à Lusa que o fecho da fábrica foi comunicado no domingo ao sindicato e reiterado na segunda-feira à sua advogada.

Um comunicado da estrutura sindical vinca que o processo “foi levado a cabo sem qualquer informação e consulta aos trabalhadores”.

O encerramento da unidade passou a ser falado depois da venda, “havendo já visitas à empresa por parte de uma outra empresa vizinha”, escreve o SIMA, que acrescenta estar a ponderar “as medidas que irá adotar quer a nível legal, quer de apoio aos trabalhadores afetados”.

A Coindu tinha sido fundada em 1988. Produz capas para assentos de automóveis e peças decorativas para interiores. Para além da fábrica que agora fecha tem ainda uma outra em Joane. No total empregavam perto de 2.000 trabalhadores.

A família Gomes, fundadora da empresa, continua a ter uma participação minoritária depois da venda do mês passado. António Cândido, o CEO anterior, também permaneceu no cargo. Era ele quem também há um mês garantia ao Jornal de Negócios que “a Coindu manterá sua marca, estratégia de produção inovadora e independência de mercado”. Só melhoraria porque passariam a “oferecer um serviço integrado aos nossos clientes e responder de forma mais eficaz às necessidades do mercado, potenciando capacidades de produção e o ‘know-how’ técnico”.

O Bloco de Esquerda questionou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre o encerramento desta fábrica sobre o acompanhamento que está a fazer da situação e as medidas que serão tomadas.

Para além disso, pretende-se saber que apoios diretos e indiretos foram atribuídos à empresa, nos últimos anos, referindo-se que “em 2022, a empresa ponderou encerrar e recebeu quatro milhões de euros ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência" e que "no ano passado, a Coindu despediu 103 trabalhadores”.