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Itália: homens ilibados da acusação de violação porque a mulher era “demasiado masculina”

As juízas disseram que a história da vítima não era suficientemente credível porque ela não era atraente. Cerca de 200 pessoas protestaram contra o veredito. Caso será julgado de novo.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

A consideração das juízas era que a alegada vítima era “demasiado masculina”, o que não a tornava num alvo de atração.

As razões do veredito de 2017 só foram tornadas públicas na sexta-feira, quando o tribunal supremo descartou o veredito do tribunal de primeira instância, ordenando um novo julgamento.

Os homens tinham sido condenados por violarem uma mulher de origem peruana, que tinha 22 anos na altura do ataque, em 2015, por um tribunal de primeira instância em 2016.

Foram absolvidos pelo tribunal de Ancona, quando os juízes disseram que a história da mulher não era suficientemente credível, já que, sendo “demasiado masculina”, era pouco atraente.

As juízas – todas mulheres – tiraram as suas conclusões a partir de uma fotografia da mulher e porque os acusados disseram que não estavam atraídos por ela, com um guardando o número da vítima no telemóvel com o nome “Viking”.

“Li essa frase em 2017 e foi por isso que a encaminhámos para o supremo tribunal”, disse Cinzia Molinaro, a advogada da alegada vítima, ao Guardian.

“Era repugnante ler. As juízas expressaram várias razões para decidir absolvê-los, e uma deles foi porque os acusados disseram que não gostavam dela, porque era feia. Também escreveram que uma fotografia [da mulher] refletia isso.”, afirmou.

O caso será ouvido por um tribunal em Perugia. Molinaro afirma que os réus puseram drogas na bebida da mulher depois de o grupo ter ido a um bar após uma aula noturna. Os médicos disseram que os ferimentos foram consistentes com a violação e que havia um alto nível de benzodiazepínicos no sangue.

Molinaro disse que a mulher voltou ao Peru depois de ter sido banida pela comunidade em Ancona por ter acusado os homens.

Luisa Rizzitelli, porta-voz da Rebel Network, o grupo de mulheres que organizou o protesto em Ancona, considerou a decisão dos juízes “medieval”.

“A pior coisa é a mensagem cultural que veio de três juízas que absolveram esses dois homens porque decidiram que era improvável que eles quisessem violar alguém que parecesse masculina”, disse Rizzitelli.

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