Gaza

Israel usa a água como arma de guerra contra civis

18 de julho 2024 - 11:32

O Estado sionista cortou o acesso a água em 94% desde o início da ofensiva em Gaza. Os civis tentam sobreviver com menos de um terço da quantidade de água diária recomendada.

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Palestiniana enche garrafa de água.
Palestiniana enche garrafa de água. Foto de capa do relatório da Oxfam.

Desde 7 de outubro, Israel cortou o acesso a água na Faixa de Gaza em 94%. Estão agora disponíveis 4,74 litros de água por dia por pessoa, o que corresponde a menos de um terço da quantidade diária recomendada em tempo de emergência e a menos do que uma descarga de autoclismo.

Um estudo feito pela Oxfam Internacional, intitulado Water War Crimes, publicado esta quinta-feira, denuncia que o Governo sionista usa “sistematicamente” a água como “arma de guerra” contra os civis.

Já era conhecida a escassez de água, assim como a de alimentos e outros bens básicos, os bloqueios à chegada de ajuda humanitária e os ataques a pessoas que dela estavam à espera, com este relatório passam-se conhecer detalhadamente os números da escassez de água que passam pelos cortes de abastecimento a partir do exterior (a empresa nacional de águas de Israel, Mekorot, cortou em 78% a água que chega a Gaza) e pela destruição sistemática de instalações de abastecimento de água.

Assinala-se a destruição ou danificação de cinco instalações de abastecimento de água ou de infraestrutura de saneamento a cada três dias desde o início da ofensiva, a destruição da infraestrutura elétrica e restrições severas à entrada de peças sobresselentes e combustíveis que limitam a disponibilidade de água potável na zona.

Israel destruiu 70% de todas as bombas de esgotos e 100% de todas as estações de tratamento de águas residuais, assim como os principais laboratórios de testes de qualidade da água em Gaza, e restringiu a entrada de equipamento de teste de água.

A Cidade de Gaza perdeu quase toda a sua capacidade de produção de água, com 88% dos seus poços e 100% das suas centrais de dessalinização danificadas ou destruídas.

Não é de estranhar que a falta, que nestas condições, mais de um quarto da população esteja a sofrer com doenças graves que poderiam ser facilmente prevenidas em condições normais.

A especialista em Água e Saneamento da Oxfam, Lama Abdul Samad, diz que “assistimos à utilização por parte de Israel do castigo coletivo e da fome como arma de guerra. Agora estamos a assistir à utilização da água como arma, o que já está a ter consequências mortais”. A situação agravou-se muito agora mas já vinha de trás porque “a restrição deliberada do acesso à água não é uma tática nova: o Governo israelita tem vindo a privar os palestinianos em toda a Cisjordânia e em Gaza de água potável e suficiente há muitos anos”.

Ela apela à comunidade internacional para que tome urgentemente “medidas decisivas para evitar mais sofrimento, defendendo a justiça e os direitos humanos, incluindo os consagrados nas Convenções de Genebra e Genocídio.”