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Israel: Netanyahu vence num campo eleitoral dominado pela direita

Com 97% dos votos contados, as eleições legislativas em Israel reforçaram a deriva à direita no país. Tudo indica que Benjamin Netanyahu conseguirá formar maioria para um quinto mandato como primeiro-ministro. Mas o seu mandato poderá ser encurtado por casos judiciais.
Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro em visita ao Muro das Lamentações, 1 de Abril de 2019. Foto Palácio do Planalto/Flickr.
Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro em visita ao Muro das Lamentações, 1 de Abril de 2019. Foto Palácio do Planalto/Flickr.

Benjamin Netanyahu parece lançado para um quinto mandato como primeiro-ministro israelita. Com 97% dos votos contados na corrida para preencher os 120 lugares do Knesset, o parlamento de Israel, o bloco do seu partido Likud mais os partidos aliados à direita estava próximo de obter uma maioria parlamentar. Os resultados finais serão conhecidos esta quinta-feira.

As eleições reforçaram a deriva à direita que tem marcado a política israelita recente. Netanyahu conduziu uma campanha agressiva à direita, referindo como argumentos eleitorais a sua amizade com Donald Trump, assim como as boas relações estabeleceu com o Brasil de Bolsonaro, a Índia e a China. Um porta-voz de Mahmoud Abbas, presidente palestiniano, afirmou à Associated Press que os resultados reforçavam o campo da extrema-direita e os receios palestinianos de uma anexação israelita da faixa de Gaza.

O grande rival de Netanyahu, nestas eleições foi Benny Gantz, antigo chefe de estado-maior das forças armadas de Israel, que se entregou há poucos meses à atividade política. Gantz liderou a coligação "Azul e Branco", que reúne três partidos de centro-direita, até muito perto de uma vitória sobre Netanyahu: contados 97% dos votos, a sua aliança Azul e Branco tinha 25,95% dos votos, poucas décimas atrás dos 26,27% do Likud. Ambos deverão eleger perto de 35 deputados. Mas a geometria das alianças com as restantes forças políticas favorece Netanyahu.

O panorama político é de grande fragmentação fora das duas forças mais votadas. Espera-se que nove partidos dividam entre si os cerca de 50 lugares restantes no Knesset, com 4 a 8 deputados correspondendo a 3% a 6% de votos para cada um. Em terceiro e quarto lugares, com cerca de 6% e 8 deputados cada um, ficaram Shas e Judaísmo Unido da Torah, dois partidos da direita ultra-ortodoxa.

A esquerda surge em quinto lugar, com o Hadash–Ta'al, aliança entre a esquerda e o partido que representa os israelitas árabes, a obter 4,5% dos votos e 6 deputados. Segue-se o partido trabalhista, historicamente um dos principais partidos de Israel (teve todos os primeiros-ministros até 1977), que registou uma enorme queda em relação às eleições anteriores de 2015, quando em coligação ficou em segundo lugar com 19% dos votos e 24 deputados. Desta vez, ficou reduzido a 4,5% dos votos e seis deputados. O grande beneficiado desta sangria terá sido a aliança Azul e Branco, que mais que triplicou os lugares que somavam os seus partidos constituintes.

Com esta geometria eleitoral, a soma do Likud com os partidos de direita dispostos a coligar-se com ele ficará entre 55 e 65 deputados, constituindo uma maioria suficiente para Netanyahu governar. A ser assim, será o seu quinto mandato como primeiro-ministro, habilitando-o a ultrapassar o "pai da nação" David Ben-Gurion como o primeiro-ministro que mais tempo esteve em funções. Ben-Gurion esteve no cargo quase ininterruptamente entre 1948 e 1963.

No entanto, um quinto mandato de Netanyahu poderá ser abreviado vários casos judiciais em que está envolvido. O procurador-geral de Israel recomendou recentemente que Netanyahu fosse acusado em três casos que o envolvem em subornos, abuso de confiança e fraude, e um quarto caso foi revelado durante a campanha eleitoral. Embora ainda tenham de passar por um procedimento de audiência judicial, espera-se que parte destas acusações venha mesmo a avançar. Caso Netanyahu venha efetivamente a responder em tribunal, dentro de um ano poderá haver nova batalha pela liderança do Likud ou novas eleições.

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