As forças armadas israelitas lançaram esta sexta-feira um ataque em grande escala contra o Irão. De acordo os militares sionistas, os alvos foram perto de cem, nos quais se contam instalações nucleares, fábricas de mísseis e comandantes militares e estiveram envolvidos mais de 200 caças.
Um dos alvos terão sido as instalações de enriquecimento de urânio de Natanz. A Agência Internacional de Energia Atómica indica que não há aumento de níveis de radiação nas imediações desta, citando as autoridades locais.
No que diz respeito aos alvos individuais, o principal comandante dos Guardas Revolucionários, Hossein Salami, foi morto numa área residencial de Teerão, ao mesmo tempo a sede desta unidade de elite do regime iraniano foi bombardeada.
Para além dele, terão sido mortos o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas e o comandante do Comando de Emergência do Irão.
Também seis cientistas nucleares foram mortos nos ataques de acordo com os meios de comunicação social iranianos.
Como resposta o Irão encerrou o seu espaço aéreo e lançou cerca de cem drones contra Israel, dizem fontes militares israelitas, enquanto o estado de emergência foi declarado neste país. Benjamin Netanyahu divulgou uma mensagem por vídeo pré-gravada na qual afirmava “estamos num momento decisivo na história de Israel” e alegava haver uma “ameaça iraniana à própria sobrevivência de Israel”. Ao mesmo tempo, jurava que “esta operação vai continuar por quantos dias for preciso para remover esta ameaça”.
O líder supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei comunicou que Israel criou “um destino amargo para si próprio”.
Pelo lado dos EUA, chegou a mensagem de que o país não participou no ataque. Ao canal público israelita Kan, um responsável iraniano tinha contudo assegurado que o ataque fora coordenado com o governo norte-americano.
Numa entrevista à Fox News, já depois do ataque se ter iniciado, Donald Trump disse que o Irão não pode obter a bomba nuclear e que os EUA esperavam que voltasse à mesa das negociações. E Marco Rubio, secretário de Estados dos EUA avisou: “deixem-me ser claro: o Irão não deve atacar interesses ou pessoal dos EUA”.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também reagiu através de um comunicado no qual apelou à “máxima contenção” para evitar “um conflito mais profundo”, condenando “qualquer escalada militar no Médio Oriente”, através do porta-voz adjunto, Farhan Haq, e manifestando-se “particularmente preocupado com os ataques israelitas às instalações nucleares no Irão, enquanto decorrem as negociações entre o Irão e os Estados Unidos sobre o estado do programa nuclear iraniano”.
O Irão é acusado de querer enriquecer urânio para construir bombas nucleares mas tem sempre negado, contrapondo que pretende apenas desenvolver um programa de energia nuclear civil. As negociações sobre o programa nuclear iraniano estão a decorrer e era suposto haver uma nova ronda em Omã neste domingo.