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Israel: Extrema-direita em força no novo governo de Netanyahu

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apresentou este sábado ao presidente Shimon Peres a sua coligação de governo, composta por cinco partidos que vão do centro à extrema-direita, após quarenta dias de negociação.

 Anti-palestiniano é nomeado para a pasta da Defesa.
“Alguns podem pensar que o novo governo não é tão de direita quanto o anterior pela presença de vários novos ministros do partido de Yair Lapid, centrista e secular, mas estão enganados", disse Ofer Bronchtein.

O novo Executivo, apoiado por 68 dos 120 deputados do Parlamento, realizará a cerimônia de juramento nesta segunda-feira para instituir o terceiro mandato de Netanyahu, uma marca comparável somente ao fundador David Ben Gurion e ao conservador Yitzhak Shamir.



A coligação é formada pelo partido Likud, de Netanyahu, o ultranacionalista Yisrael Beiteinu (Likud-Beiteinu) e o ultra-direitista e representante do movimento colono, Habait Hayehudí, além dos partidos de centro Yesh Atid e Hatnuah. Será a primeira sem partidos ultra-ortodoxos desde 1977, à exceção de um breve espaço de tempo (2003-2005) no segundo mandato de Ariel Sharon.

Segundo disse Ofer Bronchtein, conselheiro do ex-primeiro-ministro Yithzak Rabin e co-fundador do Fórum Internacional para a Paz no Oriente Médio, à France 24, “alguns podem pensar que o novo governo não é tão de direita quanto o anterior pela presença de vários novos ministros do partido de Yair Lapid, centrista e secular, mas estão enganados. O partido é centrista quando se trata de assuntos domésticos; em relação a relações internacionais está entre a direita e a extrema-direita".

Yesh Atid é um partido de ideologia indefinida liderado pelo popular ex-apresentador de televisão Yair Lapid, que se transformou na grande surpresa das eleições do último mês de janeiro, ficando como segunda força política, enquanto Hatnuah é a formação da ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni.



Entre os ministérios de maior envergadura, o da Defesa ficará nas mãos de Moshe Yaalon, considerado um dos dirigentes mais direitistas do Likud; o Indústria e Comércio ficará com Naftali Benet, líder do Habait Hayehudí, e o da Justiça com Tzipi Livni, enquanto o das Finanças ficará com o midiático Lapid, que não conseguiu alcançar a pasta das Relações Exteriores.

Novos ministros

O governo será composto por 21 ministros, frente aos 29 atuais: sete do Likud, cinco do Yesh Atid, quatro do Yisrael Beiteinu, três do Habait Hayehudí e dois do Hatnuah.
Neste domingo, Netanyahu nomeou como ministro da Defesa Moshé Yaalon, um dos homens destacados do Likud e chefe das Forças Armadas entre 2002 e 2005, e destacou a experiência do correligionário para enfrentar um momento considerado difícil por ele no Médio Oriente.



Titular de Assuntos Estratégicos, Yaalon é considerado um dos dirigentes mais radicais no seio do Likud. Ele se viu envolvido em polêmicas ao falar dos palestinos como um "cancro", da principal organização pacifista de Israel, Shalom Ajshav, como um "vírus" e da possibilidade de matar o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.


Yaalon já deixou claro publicamente a sua relutância em desistir das ocupações na Cisjordânia e deixar o caminho livre para a formação de um Estado palestiniano. Com o Hamas na Faixa de Gaza e grupos relacionados no Egito e Síria, a principal preocupação do governo israelita é a defesa antes da diplomacia. O seu período como chefe do Exército não foi estendido após se opor à retiradas de forças israelitas da Faixa de Gaza.

No entanto, ele é visto como um dos menos partidários a um ataque ao Irão para frear o programa nuclear do país
. Oficiais dizem que Yaalon recomendava a Netanyahu dar mais tempo para missões diplomáticas lideradas pelos EUA.

"Num momento tão crucial para a segurança do Estado de Israel, quando tudo está turbulento ao nosso redor, é importante que um homem com a experiência de Moshé Yaalon ostente este cargo", disse Netanyahu ao recebê-lo em seu escritório, em Jerusalém. Por sua vez, Yaalon prometeu determinação e afirmou que utilizará sua experiência e seus valores para dirigir o Ministério da Defesa.



O posto de número dois no ministério será de Danny Danon, provavelmente o deputado do Likud mais polêmico pelas suas propostas racistas e antidemocráticas no Parlamento.



" O nosso país enfrenta autênticas ameaças de segurança, tanto ao longo das nossas fronteiras quanto de inimigos mais distantes", destacou Danon num comunicado, no qual disse ter aceitado o posto com "grande responsabilidade".
Num post no Facebook, afirmou que “preservaria os valores do campo nacionalista”.

Netanyahu também ofereceu ao atual ministro da Educação, Gideon Sa'ar, a pasta do Interior, que este aceitou.



O até agora titular do Ambiente, Gilad Erdan, passará à pasta da Defesa Civil e Comunicações, a integrar o gabinete político e de segurança e a liderar o diálogo estratégico com os Estados Unidos.



O domingo foi de "grande tensão no Likud", como colocou nesta manhã na sua capa o jornal Israel Hayom, pela estendida sensação que os pactos de coligação e a aliança com o Yisrael Beiteinu deixaram o partido quase sem assentos de peso no novo Executivo.
"Netanyahu deixou-nos só as migalhas", criticou um dirigente do partido.

O primeiro-ministro, dirigente do partido direitista Likud, liderou o país entre 1996 e 1999 e na anterior legislatura (2009-2013), uma das mais estáveis da agitada vida política do país, na qual o sistema proporcional de voto e a diversidade social geram amplas e, às vezes, complexas coligações.



"Cumpri a tarefa. Temos um ano decisivo nos âmbitos da segurança e economia, assim como nos esforços para promover a paz e o desejo dos israelitas de efetuar uma mudança", afirmou Netanyahu ao presidente na residência do mesmo em Jerusalém.



Neste aspeto, o primeiro-ministro ressaltou a "cooperação" do seu executivo, que terá como a função de "levar a mudança a todos os cidadãos israelitas e em todas as áreas". "Formar um governo é uma tarefa complexa e requer muitos esforços e recuos. Há alguns problemas, mas também há muitas oportunidades nos âmbitos de segurança, de sociedade e de paz. O país necessita, e as pessoas também. Chegou o momento", respondeu Peres.




Notícia publicada no porta OperaMundi
 

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