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"A nossa libertação também libertará Israel dos males da ocupação"

O dia 4 de Junho de 1967 é um dia sombrio na história do povo palestiniano. É uma data que permanece gravada na memória colectiva tal como a Nakba - a catástrofe, o episódio que há 59 anos converteu o povo palestiniano num povo de refugiados, num povo sem pátria.

Este é o texto da mensagem, nos 40 anos da Guerra dos Seis Dias, de Marwan Barghouti, preso em Israel e condenado a prisão perpétua. A mensagem foi enviada ao jornal L' Humanité, através do deputado do PCF Jean-Claude Lefort e publicada também no site Rebelión.
Hoje quero de novo recordar que vivi toda a minha vida sob a ocupação israelita, a minha vida, essa viagem feita de frustrações e sofrimentos que começaram há 40 anos. Durante estas quatro décadas, como todos os palestinianos, suportei todas as penas, as dores, a prisão, a tortura e a expulsão. Sofri interrogatórios desumanos nas prisões do ocupante. Fui detido arbitrariamente sem mandato, sofri prisão domiciliária e escapei a várias outras tentativas de prisão. Não estive presente quando nasceram os meus quatro filhos, não os vi crescer, não assisti à distribuição dos prémios nas escolas, fui privado de todos esses momentos de alegria... como aconteceu com dezenas de milhares, centenas de milhares de palestinianos.

Sempre sonhei com um país livre e um estado democrático, com um país onde pudéssemos viver em paz com os nossos vizinhos, com o Estado de Israel, esse Estado que infligiu tantos sofrimentos ao meu povo. Sonho ainda que um dia o meu povo será libertado da escravidão que lhe foi imposta pela ocupação israelita. Estou orgulhoso por o povo palestiniano recusar vergar-se à humilhação e ao infortúnio da ocupação e continuar a sua resistência legal para obter a liberdade, o direito ao regresso e a independência... como outros povos o fizeram no passado. Porque hoje os palestinianos suportam graus de humilhação, de miséria e de subalimentação piores que aqueles que sofreram durante os 40 anos de ocupação. A brutalidade e a discriminação atingiram o máximo.

É tempo de todos aqueles que desejam que a paz, a segurança e a estabilidade reinem no mundo compreendam que para atingir este objectivo no Médio Oriente é preciso pôr fim à ocupação por Israel de todos os territórios palestinianos ocupados desde 1967, assim como à ocupação de todas as terras árabes usurpadas. É preciso criar um Estado palestiniano independente e soberano com Jerusalém como capital. Por último, a paz, a segurança e a estabilidade só reinarão na nossa região se for encontrada uma solução justa para o problema dos refugiados palestinianos, uma solução baseada na resolução 194 da ONU.

Os amigos que estão ao nosso lado na nossa justa luta apoiam a justiça, a liberdade, o humanismo e o respeito pelos direitos do homem. Já é tempo de pôr fim à mais longa e mais atroz ocupação da história do mundo moderno. A libertação da terra e do povo palestinianos, para além da libertação do nosso povo, é igualmente uma oportunidade para libertar o povo israelita dos males, dos crimes e das tensões da ocupação. O nosso povo nunca esquecerá os que nos têm apoiado, homens, mulheres, indivíduos, associações e partidos políticos, instituições, comités de solidariedade, Estados estrangeiros e povos. Nunca esqueceremos que se colocaram ao lado do povo palestiniano na sua luta para superar estes tempos difíceis e a nobreza do seu empenhamento ficará na nossa memória. Tenho esperança que nós, o povo palestiniano e os nossos amigos, poderemos celebrar um dia nas ruas e nas praças de Jerusalém o advento da liberdade e da paz na nossa terra, Palestina, terra de paz.

(...)

Resto dossier

Palestina, 40 anos depois da Guerra dos Seis Dias

O dossier do Esquerda.net desta semana é dedicado à Palestina, 40 anos depois da Guerra dos Seis Dias, que terminou com a ocupação dos territórios palestinianos de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Da guerra ao apartheid

Israel obteve uma grande vitória militar na Guerra dos Seis Dias. Hoje, 40 anos depois, essa vitória aparece cada vez mais como uma vitória de Pirro. A opressão criada pela persistente ocupação; o sistema de colonatos dirigido a espoliar mais terras palestinianas e a encerrar o seu povo em verdadeiras prisões; os muros e os checkpoints criaram um sistema pior que o apartheid sul-africano. Um sistema totalmente injustificável aos olhos do Mundo.

"A nossa libertação também libertará Israel dos males da ocupação"

O dia 4 de Junho de 1967 é um dia sombrio na história do povo palestiniano. É uma data que permanece gravada na memória colectiva tal como a Nakba - a catástrofe, o episódio que há 59 anos converteu o povo palestiniano num povo de refugiados, num povo sem pátria.

Entrevista: “Um dos governos mais representativos do mundo”

Nesta entrevista concedida à Der Spiegel Online, o Ministro da Informação palestiniano Mustafa Barghouti defende o governo de unidade palestiniana, que considera o mais democrático e representativo do mundo, e adverte que não se pode separar o presidente do governo, não se pode separar um ministro de outro, pelo facto de serem de facções diferentes. "Creio que alguns países continuam a ser demasiado influenciados por Israel e pela abordagem irracional do governo israelita", diz. Para Barghouti, os palestinianos apoiarão a Iniciativa Árabe, que fala de reconhecimento mútuo, se Israel estiver preparado para a reciprocidade e para aceitar um Estado palestiniano. "Que querem para além disso? Mas se alguém espera que os palestinianos desistam dos seus direitos e que fiquem satisfeitos com isso, comete um erro."

Memorando secreto mostra que Israel sabia que colonatos são ilegais

Um importante conselheiro que advertiu secretamente o governo de Israel, depois da Guerra dos Seis Dias de 1967, que seria ilegal construir colónias judaicas nos territórios palestinianos ocupados disse, pela primeira vez, que continua a achar que tinha razão. A declaração de Theodor Meron, conselheiro jurídico do Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita na época e um dos principais juristas internacionais do mundo, é um sério golpe no persistente argumento israelita de que os colonatos não violam a lei internacional, particularmente no momento em que Israel comemora o 40º aniversário da guerra de Junho de 1967.

Israel 2007: pior que o apartheid

Ronnie Kasrils, ministro de Segurança da África do Sul, esteve recentemente nos territórios ocupados e voltou com um veredicto claro: o que se vive hoje na Palestina é muito pior do que o pior pesadelo do apartheid sul-africano. De descendência lituana-judaica, Ronald Kasrils é membro do Comité Executivo Nacional do Congresso Nacional Africano (CNA) desde 1987, bem como do comité central do Partido Comunista da África do Sul desde Dezembro de 1986.

Israelitas e palestinianos, 40 anos depois da Guerra dos 6 dias

Tenho 83 anos. No decurso da minha vida vi o ascenso dos nazis, e a sua queda. Pude observar a União Soviética nos seus momentos culminantes, e segui o seu desmantelamento. Um dia antes da queda do muro de Berlim, nenhum alemão acreditava que chegaria a ver esse instante. Os peritos mais astutos não o previram, porque na história há correntes subterrâneas que ninguém percebe no seu fluir real.