O Círculo dos Pais – Fórum das Famílias é uma organização não governamental composta por mais de 600 famílias que pessoas que foram vítimas da ocupação da Palestina e por uma equipa técnica. Uma das suas atividades é a educação para a paz nas escolas.
A semana passada, o Ministério da Educação de Israel, Yoav Kisch, baniu a organização de entrar nas escolas. O governante alegou que “qualquer comparação do luto por causa dos soldados das Forças de Defesa Israelitas e vítimas de ataques terroristas com o luto por causa daqueles que sofreram com atividades de defesa das Forças de Defesa Israelitas ao proteger o Estado de Israelitas é inaceitável e não se enquadra nos valores promovidas pelo Ministério da Educação. Isto provoca graves danos à memória dos soldados das Forças de Defesa Israelitas e as vítimas de terrorismo”.
A resposta do Círculo dos Pais, de acordo com o Middle East Monitor, foi a de que “numa ditadura, o Ministro da Educação decide o que é proibido saber”. E, em referência à contestada reforma da justiça, que a decisão de Yoav Kisch de banir as atividades do Círculo dos Pais nas escolas é outra parte do golpe – supressão da democracia e aceitação zero de outras vozes”.
Para a ONG, “os direitistas messiânicos que tomaram esta decisão não apenas prejudicaram a memória dos enlutados e o direito ao luto, mas procuram perpetuar o conflito sangrento entre as nações”.
Também a deputada trabalhista Naama Lazimi reagiu veementemente no Twitter falando em “golpe político” e acrescentando: “Qualquer um que não se encaixe nos valores do governo fascista será julgado como inimigo e traidor. Valores de paz e tolerância já estão fora dos limites da legitimidade do governo. Este governo está até a tentar arregimentar o luto”.
À RFI, a porta-voz do grupo, Robi Damelin, que há mais de vinte anos organiza debates com alunos da secundária e pais israelitas e palestinianos, questiona ainda: “eu desonro os soldados? O meu filho estava a fazer um mestrado em Filosofia da Educação por isso a educação para a paz tornou-se a minha principal ocupação”.
A responsável pela organização avança ainda que esta irá pedir recurso e 60 diretores de escola assinaram já uma petição que tem como objetivo anular a decisão do ministério e declararam ter as suas portas abertas para continuar com as atividades.