O acordo de cessar-fogo, que na noite de quarta-feira foi anunciado e que estaria prestes a ser concluído, está a ser adiado por Israel. Netanyahu acusou o Hamas de voltar atrás nalguns dos pontos da negociação, mas o Hamas defende que “não há base para as acusações de Netanyahu”.
Através do Telegram, Izzat al-Risheq, representante do Hamas, reagiu às acusações do primeiro-ministro israelita dizendo que estão “comprometidos com o acordo de cessar-fogo”. A Al Jazeera confirma que não há informação que indique que o Hamas tenha voltado atrás com qualquer tipo de cedência. Denuncia antes uma grande pressão política interna em Israel, que pode ter afetado a decisão de Netanyahu.
De facto, o partido do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, ameaçou sair da coligação de governo se o acordo de cessar-fogo fosse votado, por considerar que é um mau acordo para Israel e por precisar de garantias de que Israel voltará a atacar Gaza. Smotrich estará a considerar demitir-se.
Também o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, se opôs ao acordo de cessar fogo, considerando que é “um voto para nos rendermos ao Hamas”. O ministro do partido de extrema-direita ameaçou também demitir-se se o acordo for aprovado.
Genocídio continua
Desde que o cessar-fogo foi anunciado, Israel atacou militarmente várias áreas na faixa de Gaza e na cidade de Gaza, matando pelo menos 81 pessoas e ferindo 230. Entre os morto há 20 crianças.
Khalil al-Hayya, outro representante do Hamas, afirmou que os palestinianos não vão esquecer aqueles que cometeram homicídio em massa contra o seu povo, aqueles que justificaram as atrocidades nas redes sociais e aqueles que forneceram o armamento.
Segundo al-Hayya, o genocídio “que a ocupação israelita e os seus aliados cometeram nos últimos 467 dias ficará para sempre gravado na memória do nosso povo e do mundo como o pior genocídio na história moderna”.
Bombas israelitas cairam nos campos de refugiados de Nuseirat e de Bureij, mas também em zonas residenciais nas redondezas. Desde outubro de 2023 que as forças armadas israelitas já mataram cerca de 46.788 pessoas em Gaza e feriram outras 110.453.