O Hamas aprovou a proposta de cessar-fogo em Gaza. Já o gabinete do primeiro-ministro israelita anunciou que o acordo não está finalizado e que há assuntos “por resolver”, mas indicou que poderão ser resolvidos nas próximas horas.
Segundo o primeiro-ministro do Catar, mediador das negociações, um acordo de paz estará praticamente concluído, pondo um travão ao genocídio que matou mais de 64.000 palestinianos desde outubro de 2023. Mas a situação é “muito frágil”, segundo o editor diplomático do jornal, James Bays.
O anúncio precoce nos órgãos de comunicação social foi o suficiente para várias comunidades palestinianas celebrarem o fim do bombardeamento da faixa de Gaza. No entanto, mantém-se pouco claro se haverá uma verdadeira vontade de por fim à guerra, uma vez que continuam a ser registados ataques israelitas em território palestiniano.
A entrar em efeito, o cessar-fogo começará no domingo e acontecerá de forma faseada. O Hamas deve entregar os reféns que fez à medida que as tropas israelitas abandonarem a faixa de Gaza.
Durante a tarde de quarta-feira, a Al Jazeera avançou também o que deverão ser os principais contornos do cessar-fogo. A confirmar-se implicariam a retirada das tropas israelitas para uma fronteira que será estabelecida 700 metros dentro da atual fronteira de Gaza. Israel terá também de permitir que pessoas que precisem de apoio médico possam viajar para o obter e que seja aberta a passagem entre o Egito e Rafah gradualmente, com as forças israelitas a abandonarem eventualmente o corredor de Philadelfi. Em troca, os reféns israelitas serão libertados.
No entanto, informações contraditórias do primeiro-ministro Benhamin Netanyahu indicam que “o Hamas cedeu na tentativa de mudar o envio de tropas para o corredor de Philadelphi”.
Dentro de Israel, a discussão sobre o cessar-fogo estará a ser condicionada pela crise política que se vive. O comentador político Ori Goldberg, de Tel Aviv, disse que Netanyahu está pressionado a aceitar o acordo porque “Israel está a implodir internamente” com “o aumento diário dos preços, a fuga de cérebros, e o colapso das instituições públicas e das infraestruturas”.
Na Cisjordânia, foram encontrados cinco mortos, vítimas de um ataque israelita em Jenin. Ataque esse que aconteceu pouco depois de um outro, que também matou seis pessoas. A ocupação israelita de territórios palestinianos continua, bem como o controlo das fronteiras pelas forças de segurança israelita.
O presidente-eleito dos Estados Unidos da América, Donald Trump, recorreu às suas redes sociais para tentar receber crédito pelo acordo de negociação, no qual tudo indica que não teve qualquer envolvimento.
A coordenadora do Bloco de Esquerda salientou que "o cessar-fogo é ainda uma promessa por cumprir" e que deve ser "acompanhado de um plano internacional para a reconstrução e a soberania palestiniana". Na rede social X, Mariana Mortágua disse que "crianças de Gaza continuarão a chorar os seus mortos numa prisão em escombros" e lembrou que os crimes de Israel "continuarão".