O escândalo sobre a gestão do dinheiro para um programa de aproveitamento energético abalou o governo liderado pela unionista Arlene Foster, forçando a eleições antecipadas que quase lhe custaram a vitória. Na contagem dos votos da primeira escolha, a diferença entre o Partido Democrático Unionista (DUP) e o Sinn Féin foi inferior a mil votos. Os nacionalistas liderados por Michelle O’Neill, após o afastamento do histórico Martin McGuiness por razões de saúde, foram o partido que mais subiu, reduzindo para um deputado a diferença em relação aos unionistas do DUP, tornando-se o primeiro partido em Belfast.
Numas eleições com uma taxa de participação de 65%, o Partido Unionista do Ulster (UUP) não aproveitou a queda do DUP e perdeu o lugar de terceira força no parlamento da Irlanda do Norte para os nacionalistas do SDLP. Mike Nesbitt anunciou a sua demissão da liderança do UUP.
Assembly Election in numbers. A good day for @sinnfeinireland and good day for respect, equality and integrity for all. #AE17 pic.twitter.com/B3yaYfiivk
— Ciaran Quinn (@c1aranquinn) 3 de março de 2017
O sistema político que resultou do processo de paz na Irlanda do Norte obriga a uma negociação e à presença dos dois maiores partidos no governo, pelo que os próximos dias serão marcados pelo braço de ferro entre DUP e Sinn Féin. Na origem das eleições antecipadas esteve a demissão de Martin McGuiness, o nº2 do anterior governo, que reclamava o afastamento da primeira ministra enquanto durasse o inquérito ao desvio de fundos do escãndalo conhecido como “cash for ash” [“dinheiro por cinzas”].
Se nas próximas três semanas os dois partidos não chegarem a acordo sobre a formação do novo governo, a Irlanda do Norte terá de ir novamente a votos.