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A Independência deles é o nosso Nakba

Hoje, enquanto Israel comemora aquilo a que chama de Dia da Independência, os palestinianos indígenas que sobreviveram à limpeza étnica de 1947-49 e têm sido forçados a viver como cidadãos de segunda classe de Israel ou sob o seu regime militar, incluindo em Jerusalém Oriental, irão realizar marchas e vigílias para assinalar o que consideram ser o "Nakba" ou "Catástrofe" palestiniana.
A neta de Abdul Hadi Qude, homem de 97 anos, segura a chave que ele diz pertencer à casa que a sua família foi forçada a deixar depois do estabelecimento de Israel em 1948, enquanto posa para um fotógrafo no campo do avô antes do Dia do Nakba em Khan Younis no sul da Faixa de Gaza 14 de Maio, 2014. (Fotografia: Mohammed Talatene/APA Images)
A neta de Abdul Hadi Qude, homem de 97 anos, segura a chave que ele diz pertencer à casa que a sua família foi forçada a deixar depois do estabelecimento de Israel em 1948, enquanto posa para um fotógrafo no campo do avô antes do Dia do Nakba em Khan Younis no sul da Faixa de Gaza 14 de Maio, 2014. (Fotografia: Mohammed Talatene/APA Images)

O Comité Nacional para o Boicote, Desinvestimento e Sanções Palestiniano (BNC), que é a maior coligação na sociedade civil palestiniana, emitiu a seguinte declaração:

A Independência deles é o nosso Nakba. A limpeza étnica de 750.000 a 1 milhão de palestinianos indígenas há 70 anos e fazer deles refugiados para estabelecer um estado maioritariamente judeu na Palestina não é causa de comemoração.

O Nakba não é um crime do passado, ainda está a ocorrer. Setenta anos mais tarde, Israel continua a demolir lares palestinianos, a roubar as nossas terras para construir colonatos ilegais exclusivos para judeus-israelitas, a expulsar palestinianos de Jerusalém revogando os nossos direitos de residência, a negar aos refugiados palestinianos, como muitos dos nossos membros, o direito de voltar às suas casas.

Israel também tenta criminalizar a nossa dor e recusa em aceitar o contínuo Nakba, ameaçando ações legais contra os palestinianos que assinalam este dia como um dia de luto. Mas nós insistimos em assinalar e resistir a este sistema de injustiça que dura há décadas.

Assinalamos afirmando o nosso direito a voltar a casa e a viver em liberdade e dignidade. Milhares de palestinianos em Gaza continuam a participar na Grande Marcha do Regresso, enfrentando a política militar israelita de “atirar para matar ou mutilar”.

Até Israel parar de violar os nossos direitos humanos fundamentais, pedimos às pessoas e comunidades conscientes em todo o mundo que apoiem os nossos esforços para parar a construção criminosa israelita e escalar campanhas de BDS pacíficas.

A forma mais eficaz de solidariedade para com as nossas mobilizações em massa inclui apelar a governos e instituições que banam todo o comércio e investimentos de empresas implicadas nos colonatos ilegais de Israel ou outras violações de direitos humanos palestinianos. Também deve ser feito um abrangente embargo militar contra Israel, incluindo uma proibição à colaboração em, ou partilha de, pesquisas militares com Israel.

Originalmente publicado em mondweiss.net

Traduzido por Nica Paixão

Termos relacionados Massacre na Palestina, Internacional
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