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Idosos em lares são quase metade das vítimas mortais da pandemia na Europa

O alerta vem da Organização Mundial de Saúde, que fala numa "tragédia humana inimaginável" nos lares e centros de cuidados continuados europeus. E reclama mudanças “imediatas e urgentes” para proteger esta população.
idosos
Foto de Paulete Matos.

“A maneira como muitas instituições prestam os seus cuidados dá ao vírus caminhos para se propagar”, afirmou esta quinta-feira o diretor regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, citado pela agência Lusa. As estimativas da OMS relativas aos 53 países da sua esfera europeia apontam que "até metade das mortes por Covid-19 eram residentes em instituições de cuidados continuados".

O dirigente da OMS defendeu que as instituições que cuidam dos idosos devem ter planos rigorosos para evitar contágios e isso passa por mudanças "imediatas e urgentes" na forma como funcionam. Mais equipamento de proteção adequada para os seus trabalhadores, a criação de espaços separados para isolar casos suspeitos e condições de transferência para hospitais e de regresso em segurança à instituição após o teste dar negativo.

Por outro lado, os utentes dos lares têm que ser “uma prioridade” na realização de testes de despistagem, de forma a que seja possível a reabertura às visitas de familiares.

Mas para que isto tudo aconteça é necessário "o compromisso dos níveis mais elevados do governo”, acrescentou Hans Kluge, lamentando que o setor dos cuidados continuados tenha sido “negligenciado desde há muito tempo”, o que contribuiu para a tragédia que atravessa os países europeus.

“Olhando para o futuro, para a transição para um novo normal, temos de apostar no investimento para criar sistemas a longo prazo de cuidados integrados e centrados na pessoa em cada país”, prosseguiu o dirigente da OMS, concluindo que isso deve ser feito com a participação em primeiro lugar dos utentes, em conjunto com os trabalhadores dos lares, os serviços sociais e de saúde, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde.

O papel dos trabalhadores destas instituições foi sublinhado por Hans Kluge, chamando-lhes os “heróis desconhecidos” desta pandemia que trabalham todos os dias “sobrecarregados, mal pagos e sem proteção”. “Temos de mudar o ambiente no qual eles prestam cuidados, oferencendo níveis apropriados de recursos e meios humanos”, defendeu o responsável da OMS.

 

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