Os manifestantes são sobretudo jovens. E são imensos. Centenas de milhar que enchem as ruas do centro de Hong Kong. Protestam contra a lei de extradição que prevê que os detidos no território semi-autónomo possam ser julgados no resto da China, o que é visto não só como um ataque ao regime autonómico mas também como um ataque às liberdades políticas restantes no âmbito da política “um país, dois sistemas”.
Ao início do dia, o bloqueio da entrada do edifício do governo tinha adiado o debate das leis denominadas “ordenança sobre criminosos fugitivos” e “ordenança sobre assistência legal mútua em assuntos criminais”.
A polícia considerou que o derrube de barreiras e as pequenas escaramuças que se registaram constituiam um tumulto. Lançou gás lacrimogéneo, que foi recebido com os chapéus de chuva que se tornaram o símbolo dos protestos do movimento democrático de 2014. Como as concentrações não dispersaram vieram os tiros de gás lacrimogéneo e canhões de água. Do lado dos manifestantes, há agora máscaras de proteção e película adesiva para proteger do gás pimenta.
A versão oficial é que os protestos são orquestrados a partir do estrangeiro. Garante que qualquer extradição terá de ser decidida pelos tribunais locais e que esta lei se destina apenas a impedir que o território se torne num “santuário de criminosos”, adianta Carrie Lam, líder do executivo de Hong Kong.