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Hong Kong: governo adia lei da extradição, manifestantes não recuam

Carrie Lam, chefe do executivo de Hong Kong, voltou atrás na intenção de implementar imediatamente a controversa lei de extradição que permitiria o envio de acusados locais para serem julgados em outros pontos da China. Mas os manifestantes não recuam: exigem o fim da lei e querem a demissão de Lam.
Manifestações em Hong Kong em 9 de junho. Foto de Kevin Krejci/Flickr

A manifestação convocada para o próximo domingo mantém-se. Os organizadores do protesto contra a lei da extradição não desarmam apesar do recuo da chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam. A Frente Civil pelos Direitos Humanos e a Confederação dos Sindicatos insistem em manter a pressão das ruas. E a organização sindical exige a demissão de Lam.

Carrie Lam Cheng Yuet-ngor tinha tentado travar os protestos, vindo em conferência de imprensa “suspender” sem prazo a legislação que permitiria extraditar pessoas que tenham sido acusadas para as zonas sob jurisdição do governo central de Pequim. No difícil equilíbrio entre satisfazer Pequim, salvar a face e apaziguar os manifestantes, Lam reconhece que a proposta “causou muita divisão”, afirma que se sente “triste e com remorsos” mas recusa pedir perdão, que quer manter a calma social, que tem “a compreensão, a confiança, o respeito e o apoio” de Pequim. Mas insiste em não deixar cair totalmente a lei, utilizando o caso de um assassinato mediático em Taiwan, cujo condenado não pode ser extraditado de Hong Kong, para procurar simpatia para a sua causa, insistindo na tese de que a lei serviria sobretudo para impedir que a região autónoma se tornasse num refúgio de criminosos.

Jimmy Sham Tsz-kit, um dos membros da Frente Civil, antecipando uma jogada governamental declarou ao jornal South China Morning Post que “os habitantes de Hong Kong sabem muito bem que as autoridades continentais gostam de agir duro em primeiro lugar e depois arrastar. É a tática deles.” Por isso, diz, “não vão cair em semelhante armadilha”.

As organizações da sociedade civil exigem assim a pura e simples retirada da lei que provocou uma manifestação que chegou a ter, dizem, mais de um milhão de pessoas envolvidas. A polícia local reconheceu o indesmentível caráter massivo da mobilização mas apresentou um número menor: 240 mil. De qualquer forma, a repressão tentada pela polícia, com disparos de balas de borracha, gás lacrimogéneo e canhões de água, não foi suficiente para travar as repressão.

Os organizadores da manifestação deste domingo dizem que também não será o adiamento tático que os fará ficar em casa. Até porque a violência policial passou a ser outro dos motivos para sair à rua. Para além da denúncia do uso excessivo da força, procura-se que a polícia retire a caracterização de “distúrbio” dada aos acontecimentos da passada quarta-feira. E não é uma mera questão semântica, com isso pretende-se proteger os manifestantes, uma vez que as penas para os distúrbios são pesadas.

A Confederação dos Sindicatos de Hong Kong está a considerar fazer uma greve na segunda-feira. A sua presidente, Carol Ng Man-yee, diz que uma mera pausa no processo legislativo é “absolutamente inaceitável” e quer a demissão dos principais membros do governo da região. Garante que entre 70 a 80 dos sindicatos membros da sua confederação já enviaram os pré-avisos de greve para segunda-feira.

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