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Hoje passeamos na natureza sem sair de casa

Visitar a neve do Vale Glaciar do Zêzere, a água da Ria Formosa ou a cratera vulcânica do Caldeirão do Corvo não tem de ficar para depois. Hoje podemos ver lontras, pinguins e tubarões, nadar com leões marinhos, ouvir o cantar dos passarinhos e acabar com jardinagem e um piquenique.
50 espécies de pássaros e os sons que fazem
50 espécies de pássaros e os sons que fazem

Embora possamos ainda sair lá fora para um exercício no parque, uma das coisas de que muitas pessoas sentem falta neste momento é o contacto com a natureza, a terra debaixo dos pés, a água salgada na pele, os animais selvagens, a viagem, o passeio em família, o piquenique na relva. Principalmente as famílias com crianças, que podiam vê-las correr e sujar a roupa nessas atividades ao ar livre, numa forma de dar a conhecer as coisas naturais, os cheiros, as texturas, o que não existe dentro de casa, vêem agora o seu esforço criativo a ter de ser redobrado. Mas à falta de melhor, que tal um roteiro alternativo?

Para começar, aconselhamos uma visita virtual ao Parque Biológico de Gaia. Como podemos ler no site, “não é uma reserva natural, nem um jardim zoológico, nem um jardim botânico, mas tem um pouco de tudo” por ser um ajuntamento de antigas quintas que origina uma área de 35 hectares onde várias espécies vegetais e animais habitam em modo selvagem - ouriços cacheiros, javalis, esquilos e até lontras podem lá ser encontradas! Visitar este espaço é, por isso, sempre uma surpresa. O parque integra ainda um centro de recuperação de animais encontrados feridos para mais tarde serem libertados. Merecem então a visita, por enquanto virtual, e quem sabe em breve presencialmente!

Partindo de Gaia, vamos num instante à Serra da Estrela visitar Covão d'Ametade? Em Manteigas, pleno Vale Glaciar do Zêzere, o Covão d’Ametade é uma antiga lagoa de origem glaciar. Aqui, embora sem movimento nem evolução, podemos girar em cinco perspectivas diferentes, olhar em volta e quase sentir o ar puro e a neve debaixo dos pés. Consegues ver a lagoa que congelou? E o sol a nascer no cimo da montanha? Que frio que está aqui!

Para aquecer o corpo, podemos dar um salto ao Algarve para espreitar rapidamente uma parte da Ria Formosa, classificada como um dos mais importantes santuários de vida selvagem. É uma zona de importância internacional para preservação de aves aquáticas embora, infelizmente, não consigamos encontrar nenhuma aqui. Mas não custa procurar, olhar em volta, e para baixo, para cima, sempre a partir do pontão para não molhar os pés! Ver as pessoas lá ao fundo, a diversidade de tons de verde nas plantas aquáticas, as grandes casas, as árvores, algum peixinho na água… ei, está ali alguém a jogar golfe? 

Agora vamos olhar em volta uma última vez, respirar fundo e levantar voo para os Açores, onde podemos ver bem de perto a cratera do vulcão que deu origem à ilha mais pequena do Arquipélago - Corvo. Chama-se Caldeirão e, embora não pareça tão grande, tem 300m de profundidade e 3,5km de perímetro. Na grande cratera podemos observar duas lagoas e, ao fundo, uma vegetação que faz lembrar uma manta de retalhos. Mas se olharmos para trás, do ponto mais alto: o oceano. Parece infinito, não é?

Não temos de nos ficar por Portugal. Vamos viajar? Que tal ir espreitar em directo o que andam a fazer as lontras, os pinguins, os peixes, as raias e os tubarões do aquário do Tenessee, nos Estados Unidos da América?  Ou mergulhar com os leões marinhos do Santuário das Ilhas do Canal da Mancha, numa experiência de 360º?

Depois de ver tanta natureza no ecrã, fica a faltar o toque da terra. Sem muita sujeira, pode ser giro fazer um pouco de jardinagem com os materiais que há em casa. Pequenos vasos, potes de doce ou outros frasquinhos, um pouco de terra e um “filhote” de outra planta lá da casa ou mesmo um pequeno rebento encontrado (sem arrancar!) numa das visitas à rua, serão o suficiente para fazer crescer novos seres. Outra hipótese sempre curiosa é a experiência do pé-de-feijão, bastando para isso colocar um pouco de algodão embebido em água no fundo de um recipiente como um copinho, colocar os feijões em cima, e ver germinar regando um pouco todos os dias. Não crescerá da noite para o dia como no conto João e o Pé de Feijão, mas os resultados acabarão por surgir. Com um pouco de água e o sol cada vez mais presente, veremos como crescem estas novas amigas até podermos sair de casa e passear à vontade! 

Por último, para relaxar de tanta aventura, podemos conhecer o chilrear, piar ou cantar de cinquenta espécies de pássaros, bantando carregar na ilustração de cada um para conhecer o som que emitem. Se fecharmos os olhos, parece que estão bem perto. Enquanto isso, vamos buscar a toalha e uns petiscos para fazer um piquenique no chão da sala?

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