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Habitação: mais buracos nas contas do PS

António Costa promete erradicar as carências de habitação até 2024, mas no programa eleitoral prevê gastar apenas 600 milhões para o conseguir. Ou as contas estão erradas ou o PS propõe-se realizar entre metade e um quarto do que promete.
Calculadora e casas
As contas do PS não batem certo com as promessas que faz para a construção e reabilitação do parque habitacional.

O desafio de dar resposta à carência de habitação em Portugal foi um dos temas centrais do debate televisivo entre Catarina Martins e António Costa. Catarina acusou o líder do PS de não fazer contas e de apenas propor medidas para a criação de 25 mil fogos — aproximadamente o número de habitações em falta, segundo um estudo do IHRU em que se baseiam as estimativas dos dois partidos. Para a coordenadora bloquista, é necessário ir mais além e por isso propõe um programa para incluir 100 mil casas a preços acessíveis e a reabilitação ou construção de outras 50 mil para habitação em regime de renda apoiada ou condicionada. Só assim, defende o Bloco, se consegue proteger os jovens e as pessoas deslocadas dos centros das cidades com o efeito da lei Cristas que fez disparar o preço das rendas.

Mas não foi apenas a diferença na dimensão das propostas que gerou debate. António Costa acusou Catarina de apresentar uma estimativa muito baixa para o preço de construção ou reabilitação - em média 60 mil euros por fogo — e a líder bloquista contrapôs que essa é a estimativa do IHRU. Nas contas de Costa, esse valor ascenderia aos 113 mil euros por fogo.

Quanto custa reabilitar ou construir? 113 mil euros por fogo, diz António Costa. Em Lisboa, Câmara gasta entre 42 e 62 mil euros

Esta segunda-feira, o PS deu a conhecer ao Expresso os números de algumas das promessas do seu programa eleitoral — “depois de muita insistência”, diz o semanário — onde se lê que o PS prevê gastar 600 milhões de euros no seu programa de construção de 25 fogos de habitação pública.

Mas as contas do PS não batem certo com a estimativa do IHRU para esse número de fogos (1.501 milhões) e muito menos com a estimativa feita por António Costa (2.911 milhões) no debate com Catarina Martins. Das duas, uma: ou faltam 901 milhões, ou faltam 2.311 milhões. Ou seja, ou as contas estão erradas ou o PS propõe-se realizar apenas metade ou um quarto do que promete.  

Mas há ainda outro fator que põe em causa as estimativas de António Costa ao apontar o custo médio de 113 mil euros por fogo construído ou reabilitado. Trata-se do custo pago nos programas de construção e reabilitação promovidos pela Câmara de Lisboa, justamente o concelho com custos mais elevados. As primeiras 20 casas reabilitadas do programa de renda acessível em Lisboa custaram em média pouco mais de 42 mil euros por fogo, e noutro concurso camarário, desta vez para a construção de 306 novos fogos na capital, o custo de construção é de 62 mil euros por fogo.

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